“Serei a Vilã da Minha Própria História?”

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Jornal A Guarda

Entrevista: Márcio D’Astrain – realizador/produtor na Motion Bloom Studios e autor do livro Infanto-juvenil

“Comecei a escrever como um pequeno livro terno para os meus primos e o resultado acabou por ser uma homenagem à histórica aldeia do Terrenho”
A GUARDA: Quem é Márcio D’Astrain – realizador/produtor e autor do livro Infanto-juvenil “Serei a Vilã da Minha Própria História?”?

Márcio D’Astrain: Márcio D’Astrain é um dos realizadores mais promissores de Portugal. Há 4 anos nasceu a produtora independente Motion Bloom Studios, que produz trabalhos cinematográficos escritos e realizados por D’Astrain. “Floripes” (2020, o seu primeiro filme) foi um monólogo documental sobre a habitante com mais idade do Terrenho e que contou com mais de 3000 espectadores, incluindo alguns elogios sobre o filme de atores internacionais como Stanislav Yanevski (Harry Potter) e Kristin Bauer (Era Uma Vez). O último projecto de D’Astrain foi a curta-metragem “Saudade: A Lisboa Que Eu Nunca Conheci” (2022), que contou com o actor vencedor de 3 Emmys© Tom Mustin e acabou por ganhar o prémio de Melhor Curta-Metragem no Black Hat Film Festival, em Londres.

A GUARDA: O que o motivou a escrever este conto e com que finalidade?

Márcio D’Astain: Nunca me passou pela cabeça escrever um conto – quando era mais novo escrevia peças de teatro, depois da minha passagem pela Faculdade de Letras comecei a realizar e a escrever curtas-metragens, desde então o cinema começou a ser o meu mundo. Penso que a ideia de escrever este conto foi o resultado do isolamento durante o Covid-19. Comecei a escrever como um pequeno livro terno para os meus primos e o resultado acabou por ser uma homenagem à histórica aldeia do Terrenho.

A GUARDA: O conto passa-se na aldeia do Terrenho e faz referências à aldeia e ao concelho de Trancoso. Qual a ligação com estes lugares?

Márcio D’Astrain: A minha ligação é simples – as minhas raízes estão lá. Apesar de ter vivido grande parte em Pombal (Leiria), Terrenho foi onde eu passei os meus verões até à minha idade adulta com o meu padrinho Jaime, em casa da minha avó Floripes (casa que é retratada neste conto), e passei muitas das minhas manhãs em Trancoso a comer as famosas Sardinhas Doces (que são referenciadas neste meu pequeno livro, também). A incrível Barragem do Terrenho é onde se passa a maior parte desta história.

A GUARDA: O livro é muito mais do que um conto pois inclui fotografias e uma lista de pontos turísticos de Terrenho e de Trancoso?
Márcio D’Astrain: O conto foi escrito para os pequenos, mas com a cabeça a pensar nos adultos. Tanto os Terrenhenses como os Trancosenses demonstraram entusiasmo com o conto, o que me levou a escrever um pouco sobre o história e geografia do Terrenho, com fotografias extraordinárias da antiga freguesia e ainda levantando pontos culturais como o Eremitério Rupestre situado na aldeia ou a Capela de Santa Luzia em Trancoso.

A GUARDA: E tem muitas ilustrações para cativar os leitores?

Márcio D’Astrain: As ilustrações, seguidamente ao conto, são a minha parte favorita. As ilustrações retractam a Barragem do Terrenho, Igreja de Matriz/São Martinho e ainda a casa d’onde passei os meus verões. A minha mãe Isabel, o meu avô materno, a minha avó paterna e os meus pequenos primos fazem parte das personagens ilustradas neste conto. Nestas mesmas ilustrações podemos ver os maiores mitos da aldeia como bruxas, magos, lobos amaldiçoados e, a maior lenda da histórica aldeia, a Moura Encantada.

A GUARDA: Também é uma homenagem à sua avó?

Márcio D’Astrain: A minha avó Floripes é uma fonte de inspiração para os Terrenhenses. Não só por ser a habitante com mais idade (98 anos), mas pela vida trabalhadora e honesta que sempre teve. Ela é uma segunda mãe para mim. Floripes foi a protagonista da minha primeira curta-metragem, levei parte desta mesma curta ao programa favorito dela “O Preço Certo” e com este conto tinha de a incluir – a personagem Avó Ressurreição é baseada nela.
A GUARDA: Quais os projectos em que está a trabalhar actualmente?

Márcio D’Astrain: Neste momento, estou a escrever um guião para uma curta-metragem que irá ser produzida ao longo do ano de 2024. Ainda pouco posso dizer, mas posso revelar que irá ser do género de fantasia e terá referências à mitologia grega.

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