“O rio Mondego é o nosso vizinho”

Maria dos Anjos e Manuel Cunha estão casados há 62 anos

Maria dos Anjos e Manuel Cunha já se habituaram ao barulho das águas do Mondego que passa mesmo ao lado da Quinta do Fojo, na Freguesia de Trinta. Na época das chuvas o caudal do rio aumenta e “a água faz muito barulho”.
“Quando para aqui viemos morar é que me custou muito a habituar, pois ouvia a água a correr toda a noite e nas invernadas ainda era pior” disse Maria dos Anjos, ao jornal A GUARDA.
Paredes meias com o rio, que leva cada vez menos água, gosta do sossego do lugar onde vive há várias décadas com o marido. “Sabe, o rio Mondego é nosso vizinho, está aqui mesmo á nossa porta”, explicou Maria dos Anjos.
Nos últimos dois anos habituou-se a ver os trabalhadores dos Passadiços do Mondego a passar no caminho de terra que dá acesso à quinta, através da designada ‘Ponte do Ribas’. Sempre sorridente e hospitaleira, gostou de ver a comitiva de técnicos e jornalistas que acompanhou o Presidente da Câmara da Guarda na visita à obra em curso dos Passadiços do Mondego.
“Sabe, já aqui vivemos há uma data de anos e gostamos muito de aqui estar”, adiantou Maria dos Anjos. Mesmo sem a agilidade de outros tempos, pois as pernas já começam a falhar, ainda gosta de ajudar o marido nas lides do campo. E explicou: “Já semeámos batatas, feijão, alhos, muita coisa…, mas antes semeávamos muito mais”. Os filhos há muito que lhes dizem para não trabalhar mas custa-lhes ver as terras abandonadas.
Numa zona em que o silêncio é apenas quebrado pelo chilrear dos pássaros e pelo barulho da corrente da água, Maria dos Anjos e Manuel Cunha vivem com a companhia do cão, das galinhas e da burra.
Desde que casaram, há 62 anos, viveram quase sempre na casa da ‘Fábrica do Ribas’, uma antiga fábrica de lanifícios, na margem esquerda do rio Mondego, uma zona por onde também vão passar os visitantes dos Passadiços do Mondego, um empreendimento virado para o turismo de natureza, que está a ser construído pela Câmara Municipal da Guarda.

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