“O auditório do TMG é muito bom,  está muito bem equipado  e tem todas as condições para  receber qualquer tipo de evento”

Entrevista: Osvaldo Ferreira – Maestro Titular e Director Artístico da Orquestra Filarmónica Portuguesa
A GUARDA: A Orquestra Filarmónica Portuguesa apresentou-se no Teatro Municipal da Guarda para um concerto dedicada à Europa. Que balanço faz deste concerto?
 
Osvaldo Ferreira: O concerto do passado dia 9de Maio, no Teatro Municipal da Guarda, superou todas as nossas melhores expectativas por diferentes razões. Em primeiro lugar, porque apresentamos um conteúdo que incluía a estreia de uma obra, cuja concepção, produção e realização foram suportadas pelo Município da Guarda. Acresce aqui a importância desta obra ter sido apresentada nos principais teatros do país, com muito boa crítica nacional. Em segundo lugar, pela qualidade artística do concerto que foi claramente do agrado de todos os presentes no TMG. Por último, e não menos importante, verificarmos que público praticamente lotou o teatro, aplaudindo de pé no final do concerto. Temos assistido ao crescimento contínuo do público para este género de música, pelo que estiveram presentes muitos alunos e professores do Conservatório local no evento.
 
A GUARDA: É importante apresentar este tipo de concertos no interior do país, fora dos grandes centros urbanos? 
Osvaldo Ferreira: A importância é exactamente a mesma. Não concebo uma única razão pela qual um concerto de música erudita seja menos importante no interior. Temos assistido a um desenvolvimento cultural das regiões (que supostamente eram menos desenvolvidas) e a um crescimento enorme do público, e isso prova que a formação que é dada nas escolas, pelos conservatórios e estruturas culturais do interior, tem tido um bom trabalho nesse sentido.
 
A GUARDA: Como avalia as características do Grande auditório do Teatro Municipal da Guarda para este tipo de concertos?
 
Osvaldo Ferreira: O auditório é muito bom, está muito bem equipado e tem todas as condições para receber qualquer tipo de evento. Refiro ainda a competência, simpatia e sentido de profissionalismo da equipa de profissionais do TMG que nos fazem sentir sempre muito bem acolhidos.
 
A GUARDA: Acompanha a programação cultural da Câmara Municipal da Guarda?
 
Osvaldo Ferreira: Sim, sempre com muita atenção. Tem critério e qualidade.
A GUARDA: Gosta de actuar na Guarda?
 
Osvaldo Ferreira: Adoramos actuar na Guarda. Estaremos aí de novo no dia 23 de Maio (terça-feira) para o concerto comemorativo do centenário do escritor Eduardo Lourenço, com a estreia de mais uma obra original a nível mundial, desta vez da compositora Salomé Menino, com apenas 21 anos e natural do Porto. O espectáculo contará também com a interpretação de obras seleccionadas por Eduardo Lourenço para o vinil “Playlist”. Complementarmente, o actor guardense José Neves irá ler excertos de obras do escritor e o pianista da Guarda, Pedro Nunes, irá interpretar uma peça a solo. Este concerto comemorativo será gratuito.
 
A GUARDA: O que o motivou a criar a Orquestra Filarmónica Portuguesa?
Osvaldo Ferreira: A maioria das orquestras que existem em Portugal são residentes e confinadas a espaços de cultura locais. Criar uma orquestra que conseguisse percorrer o país com jovens talentos portugueses fez-me todo o sentido por ser diferenciador. A Orquestra Filarmónica Portuguesa é a única orquestra de dimensão sinfónica que o faz, mostrando a qualidade da nova geração de músicos.
A GUARDA: Quem é que integra a Orquestra Filarmónica Portuguesa?
 
Osvaldo Ferreira: Uma mescla de consagrados e experientes músicos juntamente com uma nova jovem geração cheia de talento e preparação que pretende atingir parâmetros de qualidade ao mais alto nível internacional.
 
A GUARDA: Apesar de ter sido criada há poucos anos, a Orquestra Filarmónica Portuguesa já é amplamente reconhecida, pelo público e pela crítica, como uma das melhores orquestras sinfónicas nacionais. Como conquistou todo este sucesso?
 
Osvaldo Ferreira: É verdade que a Orquestra Filarmónica Portuguesa é um corpo artístico recente e já amplamente reconhecido pela crítica e pelo público. É sempre muito complicado e até injusto pedirem-nos para falar de nós próprios, prefiro deixar a resposta para o público e para quem nos acompanha. A nossa missão, responsabilidade e foco é elaborarmos um trabalho profissional, ter uma equipa de artistas talentosos e sempre muito bem preparados, colaborar com os melhores artistas e criadores, buscar as parcerias certas, bons auditórios e promotores.

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