“Foi a minha primeira coroa de louros cinematográfica, a qual poderá ser colocada no póster do filme na eventualidade de vir a ser produzido”

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Entrevista: Carlos Galinho Pires – autor do argumento cinematográfico laureado em competição internacional

Carlos Galinho Pires, autor do argumento cinematográfico laureado em competição internacional, é natural da Guarda. Estudou na Escola Secundária Afonso de Albuquerque e Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Nos tempos livres gosta de escrever, ver filmes e séries, jogar videojogos, tocar música, praticar ciclismo e ler.

A GUARDA: Quem é Carlos Galinho Pires?

Carlos Pires: De profissão sou engenheiro informático, actualmente a residir no Porto mas com fortes ligações à Guarda, cidade que visito com frequência. No meu outro lado, assumo-me como “inventor de estórias”, autor ficcional, movido pela paixão de criar narrativas que toquem de alguma forma especial nas pessoas, que, para além de entreterem, inspirem, ensinem, surpreendam e influenciem de forma positiva o público.

A GUARDA: Como recebeu a notícia de que o argumento cinematográfico tinha sido laureado uma competição internacional?

Carlos Pires: Sempre que participamos em concursos temos a esperança de poder eventualmente ganhá-los, mesmo tendo consciência de que as probabilidades são muito baixas. Conseguir chegar a uma etapa final, apesar de ser um pouco mais acessível do que vencer, continua igualmente a ser improvável, especialmente tendo em conta de que estava a competir com profissionais, e, portanto, quando fui informado de que tinha chegado aos quartos-de-final levei algum tempo a acreditar, fiquei abismado e depois felicíssimo. Teve uma importância especial porque foi a minha primeira coroa de louros cinematográfica, a qual poderá ser colocada no póster do filme na eventualidade de vir a ser produzido. Mas acima de tudo, foi uma dose de motivação extra para continuar este meu caminho nesta área onde o normal é ser rejeitado e uma validação de que afinal de contas até escrevo estórias interessantes e apelativas ao público internacional.

A GUARDA: O que o levou a entrar nesta competição? De que se tratou?

Carlos Pires: Tratou-se de uma competição de argumentos cinematográficos de curta-metragem organizada por uma organização de profissionais da indústria, a Screenwriters Network. Acabei por entrar um pouco por acaso, tinha acabado de escrever esta curta-metragem para no ano seguinte conseguir participar num outro concurso e reparei que esta competição em particular era das poucas que naquela altura estava a aceitar candidaturas e decidi tentar a minha sorte a fim de “testar” o argumento, o que acabou por ser uma boa aposta.

A GUARDA: Escreveu um argumento original para uma curta-metragem? Em que consiste esse argumento?

Carlos Pires: Sim, trata-se de uma curta-metragem original de 22 páginas (ou seja, previsivelmente com 22 minutos). É uma estória de amor entre um rapaz e uma rapariga, ambos “amaldiçoados” com personalidades incomuns e falsamente estereotipadas, cuja consequência é a dificuldade que têm em conhecer alguém especial: ela é uma atraente modelo, cujo estereótipo atrai mulherengos desinteressantes, só que afinal é introvertida e “geek”; e ele, por ser também atraente, afasta as mulheres que o vêem como um mulherengo, só que afinal é o contrário e até é tímido e “nerd”. Ao conhecerem-se através de uma aplicação de encontros desenvolvem uma química muito forte, no entanto, por ela só ter atraído homens errados que a viam como um mero objecto, tem um bloqueio emocional que a faz auto-sabotar-se e recusar relacionamentos novos, levando-a a afastar-se. Numa luta contra o tempo, que ameaça com o esquecimento desta ligação especial, ela procura na terapia uma “cura” e ele, sem saber do seu paradeiro, prossegue com a sua vida mantendo uma esperança que se vai desvanecendo. O título da curta, “Definição do Amor”, surgiu porque cada um terá de encontrar nessas suas “lutas” as suas próprias definições do que é o amor. Trata-se de uma estória que aborda estereótipos e problemas muito incomuns e raramente retratados, e com uma mensagem subjacente bonita.

A GUARDA: Gostava que o argumento desse lugar à produção de um filme?

Carlos Pires: Claro que sim! Diria que, apesar de difícil e muito improvável, esse é o objectivo principal de qualquer argumentista, ver a sua estória no ecrã, portanto seria um sonho. Estes concursos são uma forma de chamar a atenção dos produtores, e o facto de ter sido laureado colocam este argumento um passo mais próximo desse objectivo, mas claro que no fim tudo depende do interesse que produtoras cinematográficas possam ter. Tenho esperança e vou continuar a lutar por isso, e o facto de estar a ser noticiado também ajuda, é como que um piscar de olhos às produtoras nacionais!

A GUARDA: Já teve ou tem mais argumentos em competição?
Carlos Pires: Sim, desde o ano passado que comecei a submeter argumentos para competições, sendo que neste momento tenho 6 argumentos em cerca de 18 competições que estão a decorrer até ao final do ano. E, até lá, espero escrever mais alguns de modo a submete-los igualmente para outras competições que decorram quer ainda este ano ou só para o próximo. A grande maioria são longas-metragens adaptadas dos meus contos, que acabam por ser mais “fáceis” de escrever uma vez que já tive oportunidade de trabalhar a fundo as estórias, no entanto, têm-se vindo a revelar uns bons desafios, não só, porque é mais difícil escrever numa língua estrangeira, mas acima de tudo porque o tipo de texto é bastante diferente do literário, o qual permite uma maior liberdade.

A GUARDA: Também é autor da colecção de livros “De Conto a Romance”. Tem mais alguma obra em preparação?

Carlos Pires: De momento, não, por agora vou concentrar-me na escrita de argumentos, sejam adaptações ou originais. Talvez num futuro mais longínquo regresse aos livros.

A GUARDA: Sendo natural da Guarda, como olha para a programação cultural da cidade?

Carlos Pires: É interessante que me faça essa pergunta porque desde bem cedo que estive ligado à cultura da cidade: comecei a estudar música com 5 anos no Centro Cultural da Guarda, mais tarde transitei para o Conservatório de Música da Guarda, e ao mesmo tempo participei em iniciativas dinamizadas pelo Município com visavam a promoção da música no concelho. Foi, aliás, uma dessas iniciativas que levou à criação de uma fanfarra na minha aldeia, Vale de Estrela, experiência essa que me fez interessar ainda mais por música e por outros estilos musicais, além de que nos levou a actuar nalguns eventos culturais da cidade. Portanto, sempre senti que a Guarda é uma cidade que valoriza a cultura, ajuda as diversas colectividades da região a manterem os seus grupos artísticos, e sempre procurou oferecer uma agenda recheada, ainda mais agora com o TMG que permite oferecer uma programação de âmbito nacional. Aliás, os 3 lançamentos que fiz tiveram lugar na BMEL – Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço que gentilmente sempre se disponibilizou em ajudar-me. Mas não podemos esquecer que sem público a cultura não vive, e, portanto, é essencial que os guardenses aproveitem os diversos eventos culturais oferecidos pela cidade.

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