“Fiquei muito comovida quando fui baptizada e quando recebi a comunhão pela primeira vez”

Entrevista: Ladélfia Jalica dos Reis da Silva Saraiva, recém-baptizada na Vigília Pascal

Ladélfia Jalica dos Reis da Silva Saraiva foi baptizada na Vigília Pascal (8 de Abril), na Igreja de São Miguel, na Guarda. Tem 17 anos, é natural da Guiné-Bissau e chegou à Guarda há oito meses. Está a frequentar o 10º ano na Escola Secundária da Sé.
Considera a Guarda uma cidade muito fria mas com pessoas muito simpáticas e acolhedoras.
A GUARDA: Quem é, e quantos anos tem Ladélfia Jalica que foi baptizada na última Vigília Pascal, na Igreja de São Miguel, na Guarda?

Ladélfia Saraiva: Eu sou Ladélfia Jalica dos Reis da Silva Saraiva, tenho 17 anos. Em casa tratam-me por “Fifi”. Como Ladélfia é um nome difícil, na escola, alguns professores também me tratam por “Fifi”. Sou Natural de Guiné-Bissau, estou na Guarda há oito meses.

A GUARDA: Sendo natural da Guiné Bissau como é que vieste para a Guarda?

Ladélfia Saraiva: A minha irmã está a viver aqui na Guarda há quatro anos. Ela quis que eu viesse para poder estudar e ter uma vida melhor, porque na Guiné-Bissau há muitas dificuldades. Vim para estudar. Estou a frequentar o 10º ano na Escola Secundária da Sé.

A GUARDA: Quais as razões porque pediste o Baptismo?

Ladélfia Saraiva: Eu pedi o baptismo porque creio em Deus Pai, Senhor de todos e para fazer parte da família cristã. Há muito que andava a fazer a preparação para receber o baptismo e fiquei muito contente por me terem acolhido na igreja de São Miguel, aqui na Guarda. Eu queria muito receber Jesus na sagrada comunhão.

A GUARDA: Para receberes o Baptismo tiveste de fazer a respectiva preparação. Há quanto tempo andavas na catequese?

Ladélfia Saraiva: Primeiro disse ao senhor padre que queria ser baptizada. Ele ficou contente mas disse-me que tinha de fazer a preparação com o diácono José Leão. O senhor diácono preparou-me para a cerimónia.
Já andava na catequese há seis anos e já tinha feito a primeira cerimónia na minha antiga igreja, na Guiné-Bissau, que é São Pedro Apóstolo. Na Guiné-Bissau não se pode ser baptizado em criança quando os pais não são casados pela igreja católica. Para receber o baptismo é preciso andar na catequese durante sete anos. É preciso fazer uma preparação profunda. Eu estava a fazer essa preparação antes de deixar a Guiné-Bissau.
Quando cheguei à Guarda, à Paróquia São Miguel, fui ao encontro do senhor padre Henrique dos Santos e falei com ele. Mostrei-lhe a declaração da minha antiga igreja e continuei a fazer a preparação para receber o Baptismo. Foi um tempo muito bonito em que aprendi muitas coisas sobre Jesus.

A GUARDA: Quem escolheste para padrinhos do Baptismo e porquê?

Ladélfia Saraiva: A minha primeira escolha para padrinho foi o senhor padre Henrique dos Santos mas ele não pode aceitar, porque ia celebrar a missa e administrar o sacramento. Depois escolhi o senhor diácono José Leão e a senhora Célia dos Santos, que aceitaram e ficaram muito contentes.

A GUARDA: Ficaste feliz por teres sido baptizada na Vigília Pascal?

Ladélfia Saraiva: Sim, fiquei muito feliz. Recebi o baptismo primeiro que as minhas colegas da Guiné-Bissau. Já lhes enviei algumas fotografias para verem que que já fui baptizada. Na minha terra havia muitos jovens na catequese de preparação para o Baptismo. O processo é um pouco diferente pois temos de ter sete anos de preparação e só depois é que podemos receber o Baptismo.
A Vigília Pascal é uma noite de luz. Fiquei muito comovida quando fui baptizada e quando recebi a comunhão pela primeira vez. Para mim foi uma alegria muito grande receber o Baptismo, a Confirmação e a Eucaristia. Agora gostava de ser acolita e catequista.

A GUARDA: No final da Vigília houve festa com todas as pessoas que estavam presentes. Como é que viveste esse momento?

Ladélfia Saraiva: Foi um momento muito bonito. As pessoas que participaram na Vigília também ficaram para o convívio. Fiquei muito feliz. O bolo chegou para todas as pessoas. Era um bolo muito grande.
Na Guiné-Bissau, no final da Missa, as pessoas ficam sempre a conviver umas com as outras. É um momento de encontro e de convívio entre todos. Muitas das vezes também há palestras e outras iniciativas.
Aqui é diferente, as pessoas estão sempre com muita pressa. Assim que termina a Missa fogem todos num instante.

 A GUARDA: Gostas de viver na Guarda?

Ladélfia Saraiva: A cidade é bonita mas é muito fria. As pessoas são muito simpáticas. Ando na escola e já tenho alguns amigos. A minha irmã vive aqui na Guarda mas eu gostava de ir para Lisboa onde também tenho família e colegas da Guiné-Bissau.
Estou feliz por viver na Guarda e sinto-me muito bem na cidade. As pessoas são muito acolhedoras. Agora o tempo já começa a ficar melhor e nos meses de Verão vai haver calor.

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