“Esta época já contamos com cinco novos concelhos a relançar o basquetebol: Trancoso, Sabugal, Pinhel, Manteigas e Seia”

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Jornal A Guarda

Entrevista: Tiago Nascimento – Presidente da Associação de Basquetebol da Guarda

Tiago Nascimento, presidente da Associação de Basquetebol da Guarda (ABG), assumiu o cargo numa fase difícil, face à pandemia que teve um grande impacto na sociedade e inerentemente no desporto que perdeu milhares de praticantes, sobretudo nos escalões mais jovens. O responsável nesta entrevista apresenta os aspectos positivos e perspectivas de futuro para o basquetebol do distrito da Guarda.
A GUARDA: Ao currículo como ex-atleta, ex-árbitro e ex-treinador e ex-dirigente soma agora uma nova missão de presidente da Associação de Basquetebol da Guarda. O que é que o levou a candidatar-se?

Tiago Nascimento: De facto, são alguns anos ligados ao associativismo e a esta modalidade, mas agora com uma grande responsabilidade e espírito de missão. É uma oportunidade para ajudar no desenvolvimento sustentado do basquetebol. Tenho uma forte convicção de que vamos, com o empenho de todos os órgãos socias, que são constituídos por pessoas de grande competência e profissionalismo, ajudar este desporto no distrito da Guarda e torná-lo um modelo de referência a longo prazo.

A GUARDA: Quais os grandes desafios que esta direcção tem pela frente?

Tiago Nascimento: Estamos a procurar desenvolver um trabalho estruturado que pretende atrair mais atletas, ter mais treinadores e uma expansão geográfica com clubes por todo o distrito. A modalidade não pode estar confinada a dois ou três concelhos. Tem de ser abrangente. Esta época já contamos com cinco novos concelhos a relançar o basquetebol: Trancoso, Sabugal, Pinhel, Manteigas e Seia. Todos eles depois de alguns anos de ausência. O mesmo está a ser feito em concelhos onde não existe a prática do basquetebol. Aqui estamos a procurar oferecer condições para que possam acolher a modalidade. É uma forte aposta de todos os elementos da Associação de Basquetebol da Guarda. Se este trabalho tiver êxito permitirá mais competitividade, graças ao aumento dos agentes desportivos ligados à modalidade.

A GUARDA: Na região da Guarda há muitos jovens na prática do Basquetebol?

Tiago Nascimento: Temos sempre as dificuldades inerentes aos territórios de baixa densidade populacional e a complicação de fazer chegar o basquetebol a todas as crianças. Precisamos de alguém que coloque os mais novos em convivência com a modalidade. Se existisse essas oportunidades acredito que existiam mais jovens a praticar basquetebol. Não é por acaso que uma das nossas apostas passa por levar o basquetebol a algumas escolas do primeiro ciclo através do projecto “Minibasquete Vai à Escola”. É um projecto que tem como objectivo realizar acções de dinamização da modalidade, oferecendo aos mais novos o contacto com a modalidade. Se gostarem podem ser encaminhados para as bases dos clubes mais próximos. Vamos apostar neste plano que acreditamos vai ajudar os clubes a superar as dificuldades de recrutamento de atletas. De momento, vamos começar por concelhos com prática da modalidade, estendendo posteriormente o projecto aos restantes municípios onde não existe a prática de basquetebol. Outra vertente desta aposta visa possibilitar a criação de novos clubes federados. Mas o basquetebol não se resume apenas a praticantes, é necessário treinadores qualificados, dirigentes motivados e juízes competentes e quanto a isso considero que estamos no bom caminho. Ainda assim, posso dizer que temos conseguido uma quantidade aceitável de praticantes.

A GUARDA: Qual o balanço que faz desde período, marcado pela pandemia, na modalidade?

Tiago Nascimento: Obviamente que nunca pode ser positivo. Verificaram-se restrições que fizeram parar por completo as competições, levando a uma quebra muito significativa nos indicadores da prática desportiva de modo geral, particularmente nos escalões de formação. É de recordar que o sector desportivo foi um dos mais afectados, com uma paragem de cerca de dois anos, o que levou os clubes a condicionar as actividades das camadas jovens, desde os treinos de preparação, passando pelos jogos dos campeonatos. O maior impacto, porém, foi na redução da captação de novos atletas. Mas é necessário passar a mensagem que o desporto é seguro e que é fundamental para a evolução dos jovens. Uma posição incompreensível e um erro colossal foi o Plano de Recuperação e Resiliência não atender apoios para o sector do desporto, que está em grandes dificuldades para recuperar da actual crise. A ABGuarda, atenta às dificuldades dos clubes, apresentou medidas de incentivo, acima de tudo para os escalões de formação, de forma a mitigar os impactos dos efeitos da pandemia.
 
A GUARDA: A Associação de Basquetebol da Guarda tem alguns sócios honorários. É importante manter estas referências?

Tiago Nascimento: Claro que sim, os actos dos agentes desportivos devem ser valorizados em vida pelos seus valores revelados, pela sua disponibilidade, pela dedicação, pela educação e pelo seu percurso desportivo na modalidade. Muitos dos casos que conheço continuam a trabalhar em regime de voluntariado, sem lugar a remuneração ou qualquer contrapartida, dedicando muito do seu tempo ao interesse social e desenvolvimento dos jovens. Participando com prejuízo do tempo no desenvolvimento social.

A GUARDA: Olhando para trás, como foi fundada a Associação e quais os momentos mais marcantes da actividade?

Tiago Nascimento: Foi no ano de 1988 que se reuniu pela primeira vez a comissão instaladora da Associação de Basquetebol da Guarda em que estavam representados os clubes fundadores: a Associação Desportiva da Guarda, o Núcleo Desportivo e Social da Guarda e o Atlético Clube da Guarda. Foi consolidada em 16 de Fevereiro de 1989 em Assembleia Geral e mantém a sede social na cidade da Guarda.
Ao longo dos anos, desenvolveu um trabalho assinalável com a dedicação por parte de todos os seus agentes desportivos, principalmente com a filiação de novos clubes do distrito da Guarda, atingindo a excelência reconhecida, em 2000, pela Federação Portuguesa de Basquetebol como a “Associação do Ano”. Todo o trabalho tem sido desenvolvido em conjunto com os clubes e agentes desportivos que acompanharam a modalidade ao longo dos anos para engradecer o basquetebol no distrito da Guarda.
 
A GUARDA:  Quais os projectos para o futuro da Associação de Basquetebol Guarda?
Tiago Nascimento: Temos definido directrizes prioritárias de actuação. Começamos por reunir individualmente com os clubes para percebemos as dificuldades de cada um. Com base nessas informações foram identificados pilares fundamentais para o futuro da modalidade no distrito da Guarda. Surgiu um plano estratégico em que os objectivos assentam em seis pilares. O primeiro passa por criar medidas de incentivo para os clubes apostarem em escalões de formação, sobretudo no minibasquete. A seguir temos a aposta na formação de quadros técnicos qualificados para permitir a entrada de novas equipas em competição. Queremos ainda melhorar desempenho dos atletas em selecções distritais, incentivar a adopção da prática juvenil 3×3 ao ar livre e atrair novos talentos para a arbitragem por forma a garantir equipas de juízes federados em todos os jogos oficias. Finalmente, queremos trazer algumas fases finais de provas profissionais para o distrito da Guarda. Este trabalho é um modelo que, acreditamos, servirá como exemplo em experiências futuras.

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