“Continuamos a desempenhar as nossas funções com muito afinco, muita dedicação e muito empenho”

Entrevista: Sérgio Costa – Presidente da Câmara Municipal da Guarda

Sérgio Costa, presidente da Câmara Municipal da Guarda, é natural Peso da Régua. Tem Licenciatura em Engenharia Mecânica pelo Instituto Politécnico da Guarda, Pós-Graduação em Sistemas Públicos de Abastecimento de Água e Drenagem de Águas Residuais. Tomou posse como presidente da Câmara Municipal da Guarda, no dia 16 de Outubro de 2021 para quadriénio 2021-2025.

A GUARDA: O que é ser Presidente de uma cidade com 824 anos de história e de memória?
Sérgio Costa: É um misto de sentimentos. Por um lado, um grande orgulho e um grande regozijo por ser Presidente da Câmara da Guarda nos 824 anos de história da Guarda, mas também, um elevado sentido de responsabilidade porque carrego esses mesmos 824 digníssimos anos de peso da nossa história. É desta valiosa história que queremos partir para o nosso futuro colectivo, com decisões informadas e estrategicamente planeadas, determinando e decidindo as melhores políticas para alcançarmos um desenvolvimento sustentado do nosso concelho.
É por isso, que continuamos a desempenhar as nossas funções com muito afinco, muita dedicação e muito empenho. Sempre com foco bem direccionado a pensar no futuro. E tudo faremos, do que estiver ao nosso alcance, aplicando tudo o que sabemos, tudo o que podemos e, tudo o que nos deixarem fazer para colocar a Guarda na senda do desenvolvimento no futuro.
A GUARDA: Quais os momentos que destaca na programação das comemorações do aniversário deste ano?
Sérgio Costa: Na programação das comemorações deste ano, gostaria de realçar como um dos momentos altos, a inauguração da nossa Ecovia. Finalmente a Guarda vai ter uma Ecovia para usufruto de todos os Guardenses.
E naturalmente, também a inauguração da estátua de Francisco de Pina, um ilustre guardense, que há 400 anos ousou partir para o Vietname e fez história. E fez história para o próprio Vietname porque a língua e a escrita vietnamita tiveram origem no seu trabalho e pela primeira vez a Guarda honra essa boa memória. Actualmente a língua vietnamita é a única no Extremo Oriente que utiliza caracteres romanos na sua escrita, dado o processo de lusitanização que Francisco de Pina iniciou à época.
A sessão solene deste 824º Aniversário terá como homenageados os 6 estabelecimentos de ensino da nossa cidade, considerando este um momento de distinção e de profundo reconhecimento a todos aqueles que passaram e que contribuíram para a excelência do ensino na Guarda. O Agrupamento de Escolas da Sé, o Agrupamento de Escolas da Afonso de Albuquerque, o Outeiro de S. Miguel, o Colégio de S. José da Misericórdia da Guarda, o Instituto Politécnico da Guarda e a Ensiguarda, verão reconhecido, pela primeira vez, de forma oficial, o seu papel e contributo para a Educação na Guarda.
A GUARDA: A Guarda tem vindo a crescer em termos de procura turística, mas o Hotel de Turismo continua esquecido. Como está o processo de recuperação deste edifício emblemático do centro da cidade?
Sérgio Costa: A Guarda, fruto do trabalho deste Executivo Municipal, com a abertura dos Passadiços do Mondego, com a sua dinâmica e divulgação, conseguiu atingir todo o país, toda a Península Ibérica. Foi uma grande estratégia de comunicação.
Hoje em dia, toda a gente sabe que os Passadiços do Mondego são na Guarda. E são os mais belos passadiços do país inquestionavelmente. Este bom trabalho que nós fizemos começa a dar os seus frutos e de facto os nossos agentes turísticos, a nossa hotelaria, a nossa restauração têm cada vez mais pessoas e, por isso, é que nós defendemos que a Guarda tem que ter cada vez mais camas. Sobre o Hotel Turismo, assistimos apenas à colocação de tapumes, colocação feita após de uma reivindicação da Câmara para que o edifício fosse protegido e evitar os actos de vandalismo e de invasão alheia a que estava sujeito. Infelizmente, até agora, não entrou qualquer projecto na Câmara da Guarda. Continuamos à espera que seja apresentado um bom projecto na Câmara da Guarda no mais curto espaço de tempo.
É isso que todos ambicionamos.
A GUARDA: A autarquia tem apostado na compra de alguns edifícios degradados, no Centro Histórico. Por exemplo, já há algum fim projectado para a antiga Casa da Legião ou para o edifício do antigo teatro na Rua Augusto Gil?
Sérgio Costa: A Casa da Legião, como bem sabemos, foi colocada à discussão pública para que os Guardenses se pudessem pronunciar sobre o futuro daquele espaço. Se seria uma praça ou se seria realizada a sua requalificação. A discussão pública ditou que deveria ser demolido o edifício, dado que está em franco estado de ruína, e fazer uma praça no local. Nomeámos uma comissão de avaliação e, foi pedido para que fosse avaliado o real valor histórico daquele espaço. Para dar seguimento ao pedido de avaliação é necessário limpar todo o interior do edificado e consolidar o que resta da estrutura com todas as condições de segurança necessárias. É esse procedimento que solicitámos aos técnicos para agilizarem, no sentido de poder ser efectuada a avaliação de todo o valor patrimonial deste espaço e ser tomada a decisão definitiva, em função do resultado da discussão pública.
O antigo teatro da Rua Augusto Gil, tal como referimos aquando da sua aquisição, será um equipamento direccionado para a área da cultura e a seu tempo falaremos, apresentaremos o projecto à cidade.

A GUARDA: Já existe projecto para o futuro Centro de Cultura Judaica?

Sérgio Costa: A Câmara Municipal adquiriu há poucos meses um conjunto de edifícios na envolvente da antiga judiaria. Foi aprovada em reunião de Câmara e estamos a regularizar todo esse edificado e iremos iniciar um projecto, sempre no horizonte do Portugal 2030, para que a antiga judiaria possa ser devidamente valorizada. Mas, para ser efectivamente valorizada, deve possuir um ponto de atracção para que as pessoas possam observar qual é verdadeiramente a história da nossa judiaria. É para isso que estamos a trabalhar em todo aquele quarteirão que foi adquirido pelo município.

A GUARDA: Há novidades sobre o Porto Seco e as variantes da Sequeira e dos Galegos?
Sérgio Costa: Sobre o Porto Seco, no início deste mandato, tínhamos apenas o que constava dos documentos oficiais da Câmara Municipal da Guarda, referindo que o Porto Seco iria ser ampliado para junto das casas do Bairro Nossa Senhora de Fátima. E, tal como nós defendemos na campanha eleitoral, Porto Seco sim, mas no local adequado. Foi isto que nós defendemos.
Ora, os documentos escritos que estavam na Câmara Municipal representavam o acordo com a ampliação para junto das casas do Bairro Nossa Senhora de Fátima, como já referimos.
O caminho que fizemos ao longo deste tempo foi para permitir, desde já, o início das operações no actual terminal rodoferroviário, mas sem qualquer ampliação para o referido bairro.
Porque se as pessoas construíram as suas casas ao longo de 20 ou 30 anos no Bairro Nossa Senhora de Fátima, foi porque nada se fez naquela zona. Ou seja, o Porto Seco vai iniciar a sua actividade no actual terminal rodoferroviário. Mas graças ao trabalho do actual Executivo da Câmara Municipal da Guarda, presidido por mim ao longo destes 2 anos, estamos a trabalhar numa futura localização do Porto Seco com uma dimensão que dignifique e engrandeça a Guarda. Queremos que no futuro o Porto seco da Guarda tenha uma localização fora do perímetro urbano, que permita a sua futura expansão.
Neste momento, só temos a lamentar o atraso do início da operação do Porto Seco devido ao atraso das obras da Linha da Beira Alta.
No caso das Variantes da Sequeira e dos Galegos nós já conseguimos assegurar, junto das Infraestruturas de Portugal, que os projectos estão finalmente a ser contratualizados. Este Executivo Municipal tem a consciência que estas obras estão atrasadas cinco anos e meio. Apesar de terem sido protocoladas no verão de 2018 até agora a Infraestruturas de Portugal, que fazem parte do estado português, nada fez.
Mas os projectos de execução estão finalmente a ser contratualizados para que as variantes sejam finalmente executadas e possam ser eliminadas as passagens de nível da Quinta das Bertas e dos Galegos.

A GUARDA: É desta que a Guarda vai ter a construção da variante dos Fs (Ti Jaquina)?

Sérgio Costa: Estamos na fase final do período da discussão pública da variante dos Fs (Ti Jaquina) e, portanto, já aprovada em Reunião de Câmara. E agora, nós iremos dar seguimento ao processo em Assembleia Municipal, aprovando o Plano de Urbanização do Cabroeiro. O projecto está a ser finalizado e, podemos então, no mais curto espaço de tempo, aprovar o projecto da Variante dos Fs, lançando a obra aguardada há mais de 30 anos. Neste momento já começamos a ver a luz ao fundo do túnel.

A GUARDA: E sobre a Guarda Cidade Europeia do Desporto?

Sérgio Costa: Aquilo que nós ambicionámos para 2030, é uma candidatura arrojada e que vai obrigar a algum investimento. Nós consideramos que a Guarda deve ter esta ambição, temos de ser ambiciosos. E por isso é que vamos trabalhar na requalificação dos equipamentos desportivos que já possuímos e a possibilidade de podermos perspectivar a construção da Cidade Desportiva para que, a Guarda seja, efectivamente, a Cidade Europeia do Desporto em 2030.

A GUARDA: A meio do mandato, quais as principais dificuldades que o executivo tem sentido?

Sérgio Costa: Nós somos um Executivo Municipal de 3 pessoas que governa em minoria. Nunca a Guarda foi governada por tão pouca gente. Esta situação é um desafio diário, um esforço sobre-humano, que os membros do actual Executivo realizam. Para conseguirmos chegar aos patamares que todos desejamos, temos de nos conseguir superar diariamente, trabalhando muito mais, cada um de nós, porque somos apenas 3 pessoas.
São as leis da Democracia, são as leis da República.
É verdade, quem ganha governa. Mas temos sempre esta dificuldade, esta limitação de conseguir chegar com 3 pessoas ao que outros no passado conseguiram com 5 pessoas. A Guarda ao longo dos últimos 20 ou 30 anos foi governada a maior parte do tempo por 5 membros no Executivo. Ora nós estamos a governar apenas com 3.
De facto, pedimos alguma compreensão pois não somos omnipresentes, somos simplesmente humanos.
Mas tudo fazemos para governar a Guarda, sempre com afinco, sempre com dedicação, sempre com ambição, porque o futuro, em grande parte, depende de nós.
Há sempre desafios como o orçamento, a aprovação das contas. Há a aprovação de medidas e obras que nós consideramos estratégicos para a Guarda e cuja aprovação é positiva para a Guarda. Por isso, esperemos que quem esteja no Executivo Municipal em representação dos partidos políticos, que olhe sempre para o futuro da Guarda, e não olhe para os umbigos dos seus partidos. Há poucas semanas, assistimos à posição concertada do PS e do PSD para que não fosse aprovado um documento que sobressaiu para a Reunião de Câmara, após a aprovação da Assembleia Municipal da empresa municipal Guarda Viva. Ora se a Assembleia Municipal, órgão máximo do município, aprova a constituição e a criação de uma empresa municipal e todos os documentos inerentes, e os representantes dos partidos simplesmente os reprovam em sede de reunião de câmara. Algo se passou, entretanto.
A Assembleia Municipal aprovou esta empresa municipal e estamos legalmente obrigados nos termos da lei, a dar sequência à sua criação e constituição.
Uma empresa municipal que será unicamente, detida e controlada, pela Câmara Municipal.
Está em causa a execução do programa de criação de habitação no nosso município. Para isto fomos cidadãos eleitos em democracia. Não estamos em ditadura. Portugal, não é uma ditadura dos partidos. É uma democracia onde os movimentos independentes têm um papel fundamental na sociedade política portuguesa.
São estas dificuldades que, por vezes, como independentes vamos sofrendo.
Esperamos e desejamos no futuro que os partidos tomem sempre as suas decisões apenas com o foco único no desenvolvimento da Guarda e não em outros interesses.
É esse o nosso anseio.

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