Cerimónia evocou o início da travessia, a 30 de Março de 1922

Bispo das Forças Armadas e de Segurança evocou “valores humanos” da Travessia do Atlântico Sul

O bispo das Forças Armadas e de Segurança recordou os 100 anos da Travessia do Atlântico Sul, realizada por Gago Coutinho e Sacadura Cabral, afirmando que a mesma teve um “carácter redentor”.
A travessia “resgatou Portugal de uma excessiva e marcada ruralidade para o restituir ao círculo das nações cientificamente relevantes. Em segundo lugar, operou-se redenção quanto à memória histórica da Nação. Existia como que um obscurecimento do que fora e fizera Portugal. A travessia do Atlântico Sul resgatou a Nação desse esquecimento e fê-la reencontrar-se consigo mesma”, disse D. Rui Valério durante a Missa a que presidiu no Mosteiro dos Jerónimos.
Para o responsável católico, esta “epopeia” mostrou como “a ciência e a técnica se colocam ao serviço do bem”, onde se levou e ofereceu o que era de Portugal, e de recebeu “o muito dos outros”.
A cerimónia, que evocou o início da travessia, a 30 de Março de 1922, contou com a presença do presidente da República Portuguesa e dos chefes dos três ramos das Forças Armadas e de Segurança.
D. Rui Valério reconheceu a existência de um “padrão de comportamento determinado não por impulsos, emoções, sentimentos ou preconceitos” mas por “valores”, que ligam as Forças Armadas ao “conhecimento científico e tecnológico”, baseados numa “antropologia” que vêem o homem como um “ser dotado de dignidade pela sua condição de ser criatura de Deus”.
O bispo das Forças Armadas e de Segurança sublinhou os valores da “comunhão e a solidariedade”, que conduziram Gago Coutinho e Sacadura Cabral ao encontro de um país que tinha a mesma missão de construção “segundo os padrões e valores do humanismo”, da “afirmação da dignidade humana e da justiça”.
Recorde-se que Sacadura Cabral e Gago Coutinho realizaram a primeira travessia área do Atlântico Sul, ligando Lisboa ao Rio de Janeiro. A travessia começou a 30 de Março de 1922 em Lisboa e terminou a 17 de Junho, quando o hidroavião “Fairey3” chegou ao Rio de Janeiro no Brasil. Sacadura Cabral era natural de Celorico da Beira, localidade onde também estão a ser assinalados os 100 anos da Travessia do Atlântico Sul.

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