“Aprendi com os ciganos, pessoas que eu respeito, no Bairro de São Vicente, a tocar nas caixas de papelão”

Entrevista: Luis Filipe Reis, cantor

Luís Filipe Reis é natural da Guarda e iniciou a sua carreira, como cantor profissional, em França. O primeiro disco “Olé do Cigano” foi gravado no Canadá. Ao longo da sua carreira como profissional, o artista já conta com 18 álbuns.
Entre as diversas conquistas, destacam-se os convites para realizar dois concertos em Paris, no Olympia, nos anos 2000 e 2002.
Tem como sonho continuar a ser feliz, olha para a música como paixão e quer cantar até que Deus permita.
A GUARDA: Como é que olha para a Guarda mesmo residindo em Paris?

Luís Filipe Reis: A Guarda é a minha terra, o lugar onde eu nasci. Quando ando em digressão, lá fora, às vezes perguntam-me de que sítio é que eu sou da Guarda. Eu digo que nasci no Bairro de São Vicente e fui baptizado na Sé, não posso ser mais da Guarda. É a minha terra, da minha família. Um sítio que eu gosto de visitar sempre que posso. De ano para ano está mais desenvolvida. Estou muito feliz por ver mudanças para melhor graças ao trabalho do actual presidente da Câmara. Vejo que as pessoas estão contentes.

A GUARDA: Cada vez que sobe a um palco na Guarda o púbico adere em grande número. Fica feliz por isso?

Luís Filipe Reis: Sim, graças a Deus que isso sucede. O último concerto aconteceu, fez em Setembro um ano, durante a Feira Farta, a convite da Câmara da Guarda. Houve mesmo pessoas que tiveram dificuldade em assistir ao espectáculo devido ao elevado número de pessoas que estavam presentes. Há um ditado antigo que diz que “santos da porta não fazem milagres”, mas eu não estou de acordo com isso. Posso dizer que cada vez que faço aqui um concerto há sempre uma grande enchente. Recordo-me, e a Câmara tem essa informação, que quando se faziam as Festas da Cidade, no Parque Municipal, eu consegui juntar 30 mil pessoas. Foi a maior enchente naquele Parque.

A GUARDA: Mas Paris continua a ser a sua cidade de referência em termos musicais?

Luís Filipe Reis: Paris é mesmo uma grande referência. Já actuei nas salas míticas da cidade luz. Os espectáculos no Olympia foram fantásticos. Costumo fazer concertos memoráveis de norte a sul da França.
Também tenho feito grandes espectáculos na Suíça, Alemanha, Bélgica, sem esquecer os Estados Unidos, Austrália e África do Sul. Tenho uma agenda bem solicitada. Isto deve-se ao facto de eu ter começado a actuar para as comunidades portuguesas que residem nestes lugares. Este ponto faz com que a minha agenda anual se preencha muito facilmente. Eu costumo dizer que tenho duas tornês: é a tornê de Verão em Portugal e a tornê depois, de Inverno, lá fora. A música é um prazer para as pessoas que estão lá fora (estrangeiro), para os emigrantes espalhados pelo mundo. Gostam de saber que houve um artista da terra que conseguiu vencer que levou o nome da Guarda aos quatro cantos do Mundo. Para mim é um prazer e fico feliz por isso.

A GUARDA: Vive da Música e gosta música?
Luís Filipe Reis: Sim, vivo da música e gosto muito de música. Eu nasci num Bairro que gostava da música. Aprendi com os ciganos, pessoas que eu respeito, no Bairro de São Vicente, a tocar nas caixas de papelão. Depois foi aquela vocação que já nasceu dentro de mim. Costumo dizer que foi um dom que Deus me deu e que eu aproveitei. Aprendi tudo sozinho e por isso estou muito agradecido a Deus. Quando era miúdo queria ser padre e frequentava a Igreja. Foi aí que começou a despertar esta vocação de cantar.

A GUARDA: Das dificuldades conseguiu fazer sucesso?
Luís Filipe Reis: Sim, muitas dificuldades. Está tudo no livro que escrevi e que já vai na segunda edição. Saí da Guarda para Paris e não tinha onde dormir. Durante quatro dias dormi debaixo de pontes. Passei fome, dormi na rua.
Eu era uma pessoa com alguma popularidade, no distrito da Guarda, pois tinha um grupo musical e fazia bailes mas, mesmo assim, quis ir mais longe. Eu disse à minha falecida mãe, quando me foi buscar a Paris: eu vim para Paris para vencer e tenho de vencer. Sempre tive fé em Deus e Deus ajudou-me.
Foi preciso superar muitas dificuldades mas consegui vencer com a ajuda de Deus.

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