Adelaide Campos considera que situação da medicina interna à urgência “é muito grave”

Hospital da Guarda

“Estamos a assistir à degradação completa da estrutura funcional e da assistência médica prestada pelo Serviço Nacional de Saúde” disse directora do serviço de Urgência do Hospital da Guarda. Em declarações aos jornalistas, esta segunda-feira, 9 de Outubro, Adelaide Campos considerou que esta situação “pode ter gravíssimas consequências para os cidadãos”. “Não sei se toda a gente está a dar conta disso ou se as pessoas não querem dar conta disso”, considerou.
Para Adelaide Campos “a pior perda que nós, enquanto sociedade, podemos ter neste momento, é a perda do Serviço Nacional de Saúde”, adiantando que “está muito próximo do colapso por incapacidade das estruturas do Governo resolverem ou tentarem criar um diálogo com as pessoas que neste momento estão a usufrui dos seus direitos”.
Adelaide Campos disse que a situação da medicina interna à urgência do Hospital da Guarda “é muito grave” e pode ser “catastrófica” a manter-se a indisponibilidade dos médicos em realizar mais horas extraordinárias.
Explicou que para além de não haver especialistas de medicina interna este mês nas Urgências da Guarda às sextas-feiras, sábados e domingos, a previsão é de que a partir do dia 1 de Novembro também não haja cirurgia e anestesiologia.
“O que se prevê não é nada animador, isto é uma situação catastrófica”, disse Adelaide Campos. Explicou que “na semana que passou não tivemos medicina interna à urgência, quinta (5 de Outubro), porque foi feriado, sexta, sábado e domingo”, oque obrigou à transferência de doentes. “Os doentes foram transferidos para Cova da Beira e para Viseu. Outros foram por meios próprios e outros encaminhados pelos centros de saúde.
A médica considerou que “isto é um acumular do número de situações que dificilmente vão conseguir resolver-se de um dia para o outro”.
Adelaide Campos adiantou que “a situação é muito grave” num território com “um número de médicos muito limitado” e com um grande volume de doentes institucionalizados a necessitar de cuidados. Considerou que “estas pessoas vão necessitar de cuidados importantes dentro de dias, assim que comece o frio. Vão duplicar e triplicar as infecções respiratórias. Estas pessoas vão precisar de grande apoio do Serviço Nacional de Saúde que neste momento não está em condições nem com actividade capaz de suprir essas falhas”.
A directora da Urgência começou por explicar que a Guarda “é apenas um peão deste jogo de xadrez que é o Serviço Nacional de Saúde em toda a sua abrangência”, sublinhando que “assistir à degradação completa da estrutura funcional e da assistência médica”.

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