Se Donald Trump regressar…

Se durante algum tempo a candidatura de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos poderia ser considerada como uma ficção, agora, a maior parte dos analistas políticos julga um senário totalmente plausível. Após o assalto do Capitólio, ninguém diria que Trump pudesse voltar a candidatar-se. Parece ter ressuscitado.

A alguns meses das eleições presidenciais nos Estados Unidos, os dirigentes europeus temem a perspetiva da reeleição de Donald Trump. Todos imaginam que o seu segundo mandato será muito mais ameaçador para a Europa que o primeiro.
Se Trump ocupar a Casa Branca, a Europa tem todas as razões para temer pela sua segurança, pois nunca escondeu a sua aversão pelas organizações multilaterais como a NATO. No próprio Congresso americano, conhecendo o desnorte de Trump perante esta situação, dois senadores, um democrata e outro republicano, prevendo a incerteza dos tempos que se avizinham, fizeram votar um dispositivo legislativo, em dezembro de 2023, para impedir o próximo presidente de retirar unilateralmente os Estados Unidos da NATO.
A eleição de Trump teria também consequências nas futuras eleições legislativas europeias onde a extrema direita tenta apoderar-se do poder, como é o caso da França, Suécia, Finlândia, Bélgica, Alemanha, entre outros.
A Ucrânia ficaria abandonada, ou melhor, Trump “resolveria o problema em vinte e quatro horas,” como já o afirmou há algum tempo. Putin, Benjamim Netanyahu e o ditador norte coreano, Kim Jong-um ficarão muito contentes em vê-lo de novo na Casa Branca. Os chineses serão mais cautelosos, perante os humores de Trump.
Os assuntos da atualidade, como as mudanças climáticas e a inteligência artificial terão um seguimento ao gosto dos seus conselheiros mais próximos. Alguns já dizem que se Trump ganhar as eleições poderá representar a mais grave ameaça para a ordem mundial após a segunda guerra mundial.
Trump ainda não elaborou o programa de campanha, mas é certo que seguirá uma política nitidamente nacionalista, protecionista, unilateral, imprevisível. Já deu algumas indicações para repensar profundamente os objetivos e a missão da NATO, uma instituição de que já um dia disse que “não serve para nada.” E pedirá à Europa o reembolso de 200 mil milhões de dólares gastos em armas e munições fornecidas pelos americanos à Ucrânia.
Não parece preocupar-se com o destino de Taiwan. Quanto ao México pensa dar ordens ao Pentágono para acabar com o narcotráfico, mesmo atacando-o no próprio solo mexicano.
Objetivamente, o balanço de Joe Biden é francamente bom, sob o ponto de vista económico, com uma taxa de desemprego em 3,9 % e com mais de 12 milhões de novos empregos. Mas os americanos só vêm nele um homem velho que empanca nas escadas do avião, que se baralha nos discursos e que se cola ao poder, com um mental necessariamente diminuído pelos seus oitenta anos e poucos anos.
Mas Biden persiste e afirma que se Trump não tivesse intenção de se apresentar, ele não seria candidato. “Não permito que ele ganhe.”

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