O outubro que estamos a viver

Cá estamos nós do décimo mês do ano em preparação para os dias mais rigorosos que iremos encontrar nos meses que se vão seguir.

Temos que ter em conta de que vivemos no outono em que o sol já sente sono. E no mês que se segue segundo a filosofia popular começa o frio, pois é comum ouvir-se dizer que dos (Santos ao Natal) é inverno natural.
No aspecto climatérico o mês de outubro também é muito variável, pois segundo a tradição, tanto pode secar as fontes, como passarem os rios por cima das pontes. O que quer dizer que a chuva aqui não usa critério para a sua aparição.
Aqui temos que ter a noção que o mês muito seco é prejudicial, bem como chuvoso excesso. Pois tudo isto afecta as colheitas da época, bem como as sementeiras que irão dar a sua produção no ano seguinte.
No que concerne à primeira quinzena aparece-nos um clima com as temperaturas bastante altas para a época, dando azo a que as areias das praias ainda continuem a ser frequentadas por aqueles que gostam de se refrescar com uns mergulhos. Mas no meu ponto de vista o clima não é sadio, pois a natureza já carece de mais humidade para que possa ser pródiga. O calor em excesso, nesta altura do ano, impede o normal desenvolvimento da vegetação que nos vai dar a sua produção a curto e a médio prazo. Fala e bem o rifão popular que diz: – Tudo se quer no seu tempo, como os nabos no advento.
Eu quando tinha uma vida mais activa, gostava nesta altura do ano de uma temperatura mais baixa. Não daquele frio de bater o queixo, mas onde um casaco vestido não causasse estorvo, pois dava-me muito mais prazer descascar nas mãos duas castanhas acabadas de assar, mastiga-las e empurra-las com duas goladas de jeropiga, que me assentavam muito bem durante a aragem de uma orvalhada. Não quero com isto dizer que este meu pitéu fosse rejeitado em dias soalheiros, só que a frescura, para mim, dá-lhe outro sabor.
No que respeita à primeira metade deste mês considero no campo religioso duas datas importantes e que são muito próximas, por sinal a enquadrarem-se muito bem com a nossa região. Estou a falar do dia dois, dedicado aos Santos Anjos da Guarda, embora não sejam da nossa cidade, mas também olham por ela. Dois dias depois, a quatro, estamos a comemorar o dia de São Francisco de Assis, dia de feira anual na nossa cidade da Guarda.
Falando sobre esta feira, recordo a referência que era para a região nos tempos da minha juventude, por ser em finais de colheitas e princípio da época mais fria. O gado e os abafos para de inverno traziam muita gente a esta cidade. Recordo que a primeira samarra que usei foi comprada nesta feira no ano de mil novecentos e sessenta e dois. Sempre gostei de usar este atavio para me proteger da frialdade. Actualmente tenho cinco, o que me permite durante o inverno ir alterando o seu uso. Mas também vos digo que só um “louco” como eu entra num capricho destes.
Na área política tem também dois dias de grande importância. O dia cinco de outubro que no ano de mil cento e quarenta e três, na conferência de Zamora foi reconhecida a independência de Portugal e em mil e novecentos e dez foi implantado a República neste nosso querido Portugal. É no meu entender, e espero que ninguém me conteste o dia mais português. Muito embora não seja dado o devido destaque como o dia da independência.
O outro dia que merece a minha referência consiste na vizinhança. Estou a falar no dia Nacional de Espanha, ou dia da Hispanidade, celebrado no dia doze, pois foi nesta data que no ano de mil e quatrocentos e noventa e dois, Cristóvão Colombo descobriu a América, ao serviço da coroa espanhola. Foi um continente onde a Espanha veio a ter uma forte implantação e ainda se mantém através do idioma castelhano.
Fico por aqui. Espero voltar com algo que me desperte atenção no dia vinte e seis do mês corrente, se algo não me afectar.
Atá lá! Haja saúde…

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