O FOLCLORE POLÍTICO

Terei que afirmar antes do que vou escrever a seguir,

de que não sou um cidadão que veja com bons olhos a força política mais votada na oposição. Se isso vier a acontecer pode-se dizer que limpinho limpinho! Não foi…
Como estamos numa fase em que isso pode acontecer, tenho que dizer que isso acontece por falta de capacidade negocial de quem ficou à frente nas eleições, acrescida da arrogância dos mesmos líderes, que durante a última legislatura, trataram o partido que agora lhe faz frente, abaixo de cão, palavras estas que não são minhas mas sim de um conceituado comentador político da nossa praça.
Sempre se soube que em Portugal a esquerda tinha mais votantes do que a direita, todavia, essa esquerda era dividida para que outros pudessem reinar. Outros ainda que embora de esquerda mas com certa desilusão, algumas vezes optavam pela abstenção, que foi sempre engordando à medida que os atos eleitorais vão acontecendo.
Na anterior legislatura o povo sofreu bastante, e quando o povo sofre não quer saber donde vem o mal, aponta sempre o dedo a quem a troco de promessas se empoleirou. Tendo isto em conta a mesma aliança voltou às urnas, mas não fez a mesma colheita, donde que precisava de uma demão de um daqueles partidos que foram marginalizados. Como isso não foi possível o senhor que ficou célebre com a frase as “eleições que se lixem”, quer agora uma janela adequada na Lei Fundamental do país, para que se vá a votos antes do tempo. Se bem que tenha havido uma certa engenharia política para se enquadrar a tal maioria parlamentar, que por si só já elegeu Ferro Rodrigues à segunda figura de Estado, está no meu ponto de vista bem enquadrada com a Constituição da República. Em finais de setembro do ano que decorre discutia-se quem seria o vencedor, se quem tinha mais votos, ou se quem tinha mais deputados. Que eu saiba todos os constitucionalistas inclinavam a sua opinião para quem tinha o maior número de deputados, assim sendo de nada vale apregoar no deserto.
Se bem me lembro, a individualidade a que me refiro sempre se deu mal com a doutrina constitucional, dado que no tribunal competente perdeu umas quantas questões, talqualmente o seu padrinho, que mora ali pelos fundos da Calçada da Ajuda.
Muitas vezes o tiro sai pela culatra, como nos diz a filosofia proverbial do nosso povo. Foi o que aconteceu aqui, embora muita gente diga que três perdedores não fazem um vencedor, não é menos certo que três pesos de meio-quilo geram muito mais gravidade do que um de quilo.
Todos aqueles que vivem da política procuram o melhor lugar no palco da governação e muitos outros procuram instalar-se na plateia para aplaudir os “passos” que os seus ídolos engendram na dança política, que no meu ponto de vista está a ser saracoteada ao timbre de um corridinho, à voz de um mandador que na presente situação é um algarvio de Boliqueime.
Perante estes factos e a quem se ouviu dizer que todos os cenários estavam estudados e que conforme fosse a sua disposição no tabuleiro político assim se iria a jogo, leva-me a pensar que o célebre professor de economia de que vos falo é em tudo parecido a um radialista que conheci a transmitir desafios de futebol: só eram golos os que a sua equipa marcava, já os que sofria não contavam no seu baralho. Pelos vistos, o trabalho de casa que estava anunciado de nada valeu, tudo voltou à estaca zero, mas ainda paira no ar a ideia de que se tenta remendar o que de novo não serviu. Os seus apaniguados esperam por isso.
E, para finalizar, uma pergunta: já que se fala tanto em alterações à Constituição, porque é que se não deve penalizar quem jura cumpri-la e não a cumpre? Por aqui me fico.

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