Informação controversa

Nos tempos que correm somos constantemente varridos por notícias controversas que nos deixam na expectativa de saber se estamos perante a realidade ou a falsidade, tudo porque o que hoje é verdade, amanhã é mentira.

Acontece que todas as notícias que nos chegam vêm rotuladas com o interesse de quem as coloca no ar, logo na maioria das vezes não se descobre a origem, pelo que apenas fica ao nosso alcance o alvo que pretendem atingir. Este estado de coisas faz-me recordar um académico com quem eu privei algum tempo durante a minha juventude que perante situações polémicas me afirmava: – Política e religião não têm discussão.
Dada a idade deste meu amigo, mais de o dobro da minha e a sua tarimba social, faziam com que seguisse fielmente esta regra que por ele me foi indicada durante uns anos, até que mais tarde eu acabei por descortinar que há uma terceira actividade que se cose com as mesmas linhas, isto é, ao sabor da nossa crença, do nosso modo de ver as coisas e por vezes também de algum interesse.
Dentro desta perspectiva olho para o desporto e aponto o futebol, onde o que fala está sempre a defender a sua dama tentando afectar quem por algum motivo lhe tenta fazer frente. Quanto maior for a polémica, mais interesse há em semear notícia, pois quanto maior for a divulgação mais credibilidade ganha o assunto colocado no ar. Daí até pode acontecer que seja um mexerico a ganhar a razão.
É evidente que quem fala de futebol aponta sempre os seus elevados conhecimentos, sem revelar a fonte onde os adquiriu, para em tudo fazer valer a sua razão. Acho graça quando alguém põe em questão a qualidade técnica de um determinado treinador, apenas porque não se gosta dele, pelas mais infundadas razões. Eu aí costumo apontar que se eu tivesse as aptidões que o indivíduo que ouço tem, tinha a minha vida ganha ao leme de qualquer equipa, dado o futebol estar muito bem pago. Como não posso ser rebatido então esse senhor diz que sempre é senhor da sua opinião.
Tudo isto toma conta da comunicação social, nomeadamente das cadeias audiovisuais, onde vemos e ouvimos as mais despropositadas conversas em assuntos que em grande parte dos casos, foram forjados para servirem de tema para uma lavagem “roupa suja” perdoem-me a expressão, onde ninguém fica bem naqueles retratos. Pois quem se sente atingido tenta sempre da maneira mais objectiva mas menos cordial alcançar a liderança da questão.
Em vários canais televisivos a situação torna-se deprimente, aí venha o diabo e escolha, cada qual faz os possíveis por tentar alegrar a parte que não está contente com os resultados e ali sempre apanha uma válvula para escape das suas deselegâncias. A nada se chega, nada se remedeia mas há sempre um motivo para amenizar o sabor amargo da contrariedade.
Mas este estado de coisas, apenas se mantém quando a conversa calha a jeito, pois de outro modo todos saem rotulados com aqueles adjectivos que são da pior espécie. São modos de ver as coisas em que a crença nos trai e nos deixa a pensar que temos a razão total.
Mas as análises absurdas acontecem com quem quer que seja, pois num vocabulário baixo e facilmente acessível todos têm direito a tempo de antena, sem que para isso haja direito a pedido de palavra ou uma pré-seleção.
Chegados aqui, também vos digo que sou daqueles que peco, também me deixo embalar por esses comentários de baixo quilate que enxameiam as conversas de café e outros aglomerados onde abunda gente na picaria desportiva.
Como pecador assumido também tenho de confessar que nem sempre analiso friamente os comentários polémicos que vou ouvindo, também entro na onda do maldizer a que a ocasião é propícia. Aqui entra em contradição, não seria muito simpático entrar numa onda diferente.
Com esta observação pessoal vos deixo por hoje, voltarei até vós a onze de maio, se algo de mal não acontecer. E com esta me acabo! Somos todos iguais, ao fim e ao cabo…

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