Fevereiro fechou a loja

Com a cadência devidamente certa que o calendário nos dá, chegou o dia de encerrarmos o mês de fevereiro neste ano que estamos a percorrer.

Estamos a fechar as suas portas, num dia raro, pois só voltará, se as minhas contas estiverem certas, daqui a mil e quatro centos e sessenta dias. Pela sua raridade, o vinte e nove de fevereiro é assinalado como o dia mundial das doenças raras e também é um dia dedicado a São João Cassiano.
Para trás deixou dias de enorme folia como o carnaval e ainda eventos de grande nomeada como é o caso aqui na nossa região de algumas feiras de queijo, de fumeiro e ainda de tradições, tendo em atenção os interesses regionais.
Ao longo da sua passagem também mostrou várias caras. Apresentou dias solarengos, outros tempestuosos, com muita chuva e vento e ainda neve, que pouco por cá se tinha visto. Mas nada disto é anormal se tivermos em conta que fevereiro é sempre um mês de inverno onde os agasalhos têm sempre o seu uso. O contrário é bem mais prejudicial, pois segundo rezam os anais da filosofia popular, o fevereiro quente traz o diabo no ventre.
Chegados aqui! Com fevereiro a fechar a loja, temos que abrir o mês de março, que no ano em que vivemos o culto católico passa a ter grande atividade. Pode-se dizer que as grandes celebrações pascais estão inseridas neste mês e mesmo até ao fim. Pois domingo de Páscoa coincide com o dia trinta e um, que embora sendo um dia já de primavera não deixa de ser o dia mais pequeno do ano. Não o é por qualquer causa natural, mas sim por decisão humana, que faz com que este dia seja o primeiro do horário de verão, logo por isso conta menos uma hora que é aquela que se adianta nos ponteiros do relógio.
O dia solar avança, logo o equinócio da primavera acontece a vinte, data em que o espaço diurno ultrapassa o da noite, logo surge a filosofia popular com a sua sentença relativa à proximidade de duração dos dias e das noites, afirmando: – Em março tanto durmo como faço.
Na área rural também se entra numa fase de mudança, pois é tempo de começar a preparar as terras de regadio, enquanto as de sequeiro começam a ter as suas culturas a ver o sol. Estamos a falar em culturas mais temporãs e que também correm o risco de ser danificadas por uma hipotética geada mais tardia.
Também temos que ter em conta que março é um mês caracterizado por uma certa instabilidade, daí o nosso povo falar com frequência: – Março marçagão, manhã de inverno, tarde de verão.
Março já não tem aquele dia simbólico dos tempos idos, para efeito dos trabalhadores rurais, estou a falar do dia dezanove, quando o horário de trabalho se alterava para que fosse possível dormir a sesta na hora de maior incidência solar. Em consequência disso as refeições fornecidas aos trabalhadores também sofriam alteração pelo facto de o assalariado estar mais tempo por conta de quem lhe pagava a jorna.
Hoje esse dia é mais festejado por ser o dia do pai, e venerado São José esposo da Virgem Santa Maria. Existem várias feiras anuais por Portugal e é feriado Municipal em Póvoa de Lanhoso, Santarém, Torre de Moncorvo e Vizela. Também é um dia propício a que vários grupos com o nome de “José” se juntem e confraternizem esse dia do seu patrono. Pessoalmente nunca falho, estou sempre nestes eventos, até com a ideia de contabilizar os que partiram e já não estão, bem como contar os novos que vão chegando, no intuito de lhes incutir o espírito de camaradagem, que é muito saudável neste tempo, em que tenta imperar o individualismo.
Assim vejo eu o mês em que vamos entrar e que espero que me corra de feição em momentos que eu tenha um papel importante no teatro em que estiver inserido. Se tal não acontecer eu lamento, mas tento sempre partir para outra situação que me dê prazer e que eu goste de partilhar alegria e conhecimentos.
E por aqui fico. Irei voltar, se tudo correr como eu quero, no próximo dia catorze.
Até lá, haja saúde!

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