Felicidade. Utopia ou simplicidade?

Almejo inquietante este! Busca incessante. Prenhe de contradições, dúvidas e interrogações. Nunca alcançada. Jamais desistida!

Enquanto seres humanos procuramo-la como exigência primeira; sentida (desde sempre) por todos; mais, ou menos consciente. Esbarra (desde sempre) na fatalidade histórica (do mal) e como tal vivemos num mundo não de felicidade, não de desgraça: existimos na ambiguidade que permeia ambas. E é nela que temos de aprender a viver, às vezes a sobreviver.
Perante as diversas crises circunstanciais de que a civilização é fértil e dentro da crise global da humanidade, alcançar a felicidade vai para além da condição humana. Contudo, e conhecendo (melhor) essa nossa própria condição, temos de estar cientes que existimos na contradição, constante e inconstante; e por tal devemos recusá-la, tentar atenuar os seus efeitos, através de um profundo trabalho de compreensão individual e colectiva, encontrando formas e fórmulas que nos permitam diminui-la, amenizar a dor da existência (livre).
O crescente esvaziamento ou mesmo substituição dos valores humanos pelos valores do êxito puro e duro e palpável sem olhar a meios, conduz a uma sociedade de desprezo, de desprezo pelo Outro, de desprezo de uns quantos sobre muitos, de muitos sobre uns quantos. O poder e o dinheiro, a força e as armas assumem papel reverencial e principal em que se impõe o medo e o terror de uns poucos a tantos, causando sofrimento e miséria desde os primórdios numa inumanidade cíclica, de que o holocausto foi exemplo máximo (de que a guerra na Ucrânia nos lembra, hoje).
A ausência e a decadência dos valores humanos leva a que as pessoas acreditem que nada tem sentido (ou só o seu próprio sentido, parcial, profundamente narcísico), e quando assim é tudo se justifica numa pretensa superioridade de quem é mais forte e tem poder, e tudo pode, e nada deve, e nada teme.
É dever de todos nós lutar esta luta interminável (algum dia será?), de combater e contrariar a lógica de que a razão está nos mais fortes, nos que têm poder (logo êxito) e não na justiça.
O excesso de realismo e pragmatismo conduz inevitavelmente o Homem a caminhos de desconsideração e opressão (o eu contra o outro, o nós contra vós), de desconfiança e rejeição (últimas). Quando o que conta é a eficácia como tal, a eficácia do poder e da força torna-se difícil aspirar a algum tipo de felicidade, uma vez que isto origina as mais ignominiosas desigualdades. Cada um de nós, na mais modesta das existências, pode lutar (expondo, alertando, denunciando) contra as injustiças, contra os abusos tais, contra as intolerâncias mais…
A indiferença do não querer ver, não querer ouvir, do não querer saber (que origina a não acção e a não condenação veemente) faz-nos cúmplices do mal e das maledicências do Homem. Temos a missão (porque temos as forças interiores necessárias) de combatermos a Força (e as forças exteriores) que desumanizam e fazem desumanizar o homem numa contínua queda: a “Queda do Homem”!
Ainda assim, temos uma força (natural? divina? ambas?) substancial e substanciada: a força da Vontade. do Querer. do Ser. melhores!
A vontade que emana e se consubstancia na Esperança e na Justiça. Na esperança (que não pode deixar de ser… real) de que o ser humano se transcenderá em… humanidade fraterna. Onde o Bem-Comum será o alfa e o ómega do Existir.
Na esperança de que o Homem continue a progredir na consciência do papel que ele próprio desempenha no seu destino e fim- em que eventualmente a fé (moderada? racional? racionada?) pode ajudar sem que o limite…
Na esperança de que essa progressão de consciência gere uma riqueza de experiência que nos ampare no Caminho… da Vida… da Felicidade!
Utopia ou simplicidade?!.

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