D. José: adaptar Portugal às grandes transformações do mundo (VII) A GUERRA FANTÁSTICA

Viagens ao reino de Clio

 

A Guerra dos Sete Anos é a denominação porque ficaram conhecidos os conflitos internacionais, que ocorreram entre 1756 e 1763, entre a França, a Áustria e seus aliados (Saxónia, Rússia, Suécia e Espanha), por um um lado, e a Grã-Bretanha, Portugal, a Prússia e Hannover, pelo outro. Para muitos autores, tratar-se-ia da primeira guerra mundial pois englobou as principais potências da época, chegou a vários continentes, e teve como consequência a inauguração da era moderna. Foi aliás a causa da independência dos Estados Unidos da América, em 1776, pois a Grã-Bretanha, para reerguer a economia, lançou uma carga de impostos nesta colónia, a razão direta da revolta e declaração de independência.
A participação de Portugal nesta guerra deu-se no ano de 1762, durante o reinado de D. José. No nosso país a guerra ficaria conhecida como “Guerra Fantástica”, “Guerra do Mirandum” ou “Guerra do Pacto de Família”. Designou-se por fantástica pois conseguimos organizar, num tempo muito breve, um exército capaz de defrontar forças inimigas superiores e porque, após a queda de algumas praças-fortes, se obtiveram vitórias. Mais uma vez o reino de Portugal foi governado com o braço forte de Sebastião José de Carvalho e Melo que, com o forte apoio do Conde de Lippe, reorganizou as forças militares portuguesas, dotando-as de uma eficácia que não possuíam. O Tratado de Paris, de 10 de fevereiro de 1763, pôs fim a uma guerra que teve como vencedores a Grã-Bretanha e a Prússia.

UM JARDIM BOTÂNICO PARA A UNIVERSIDADE DE COIMBRA

Seguindo a reforma do ensino superior, em 1773 o Marquês de Pombal determina a construção de um jardim botânico na Universidade de Coimbra, com fim utilitário e não para coisas pomposas e inúteis como o cultivo de malmequeres da Pérsia ou açucenas da Turquia. Assim, recomenda ao bispo de Coimbra: “Deve V. Exa. Fazer delinear outro plano, reduzido somente ao número de erva medicinais, que são indispensáveis para os exercícios Botânicos e necessários para se darem aos estudantes as noções precisas para que não ignorem esta parte da medicina. Deixando-se para outro tempo o que pertencer ao luxo Botânico. E para tirar toda a dúvida pode V. Exa. determinar logo: por uma parte, que Sua Majestade não quer jardim maior nem mais sumptuoso, que o de Chelsea, na cidade de Londres, que é a mais opulenta da Europa; e pela outra parte que debaixo desta ideias se desmarque o lugar; se faça a planta dele com toda a especificação das suas partes e se calcule por um justo Orçamento o que há-de custar o tal jardim de estudo de rapazes e não de ostentação de príncipes ou de particulares, daqueles extravagantes e opulentos que estão arruinando as grandes casas na cultura de bredos, beldroegas e poejos da Índia, da China e da Arábia.
Marquês de Pombal”

A COMPANHIA GERAL DAS PESCARIAS REAIS DO REINO DO ALGARVE

Prosseguindo a política de fomento económico que se deseja para o reino, uma provisão régia cria a Companhia Geral das Pescarias Reais do Reino do Algarve no dia 15 de janeiro de 1773.
Com uma concessão válida para doze anos, a companhia pode receber todas as redes e ferramentas que pertencem à Coroa, bem como usufruir de todas as cabanas, armazéns, praias e terrenos necessários à sua atividade. Fica com o monopólio da importante pesca do atum e corvina das costas algarvias e sobre o peixe pescado não pagará um imposto superior a vinte por cento. A sua direção é composta por três membros, eleitos entre os acionistas e por três administradores residentes em Lagos, Faro e Tavira.

A MORTE DO AUGUSTÍSSIMO SENHOR DOM JOSÉ O PRIMEIRO

D. José morreu no dia 23 de fevereiro de 1777. No dia seguinte, a rainha, D. Mariana Vitória, mandou publicar o seguinte aviso: “Foi Deus servido chamar à Santa Glória no dia de ontem, vinte e três do corrente, quando se contavam vinte e três minutos depois da meia-noite, o Augustíssimo Senhor Dom José o Primeiro, depois de muitos Actos de Amor de Deus e de grande conformidade. Sua Majestade me manda participar esta infausta notícia. A mesma Senhora se encerra por oito dias, que principiam hoje; tomando luto por um ano; seis meses rigoroso e seis meses aliviado.
Palácio de Nossa Senhora da Ajuda, a 24 de Fevereiro de 1777.
Aires de Sá e Mello.”

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