A Liberdade

Cada português é uma expressão de Portugal e é chamado a sentir-se responsável por ele.

Este é o preço da liberdade. Ser livre não é simplesmente ocupar o espaço comunitário como nosso, mas é poder, sim, habitá-lo plenamente; poder moldá-lo de forma criativa, com forças e intensidades novas, como um exercício deliberado e comprometido de cidadania. Ser livre é sentir-se protagonista e participante de um projeto mais amplo e em construção, que a todos diz respeito. É não conformar-se com os limites da linguagem, das ideias, dos modelos do próprio tempo. A liberdade é uma inspiração para ousar sonhos grandes. E isso é tanto mais decisivo numa época que não apenas nos confronta com múltiplas mudanças, mas sobretudo nos coloca no interior turbulento de uma mudança de época.
No itinerário de um país, cada geração é convocada a viver tempos bons e maus, épocas de fortuna e de infortúnio, horas calmas e travessias tempestuosas. O importante a salvaguardar é que, como comunidade, nos encontremos unidos em torno dos valores humanos essenciais, como a liberdade, e sermos capazes de lutar por eles.
Não há super-países, como não há super-homens. Todos somos chamados a perseverar com realismo e diligência nas nossas forças e a tratar com sabedoria das nossas feridas, pois é a condição de tudo o que está sobre este mundo. O dia comemorativo da liberdade de 2023, em concreto, oferece-nos a oportunidade de nos perguntarmos o que significa amar um país de forma livre. Uma pensadora europeia, Simone Weil, escreveu o seguinte: um país pode ser amado por duas razões, e estas constituem, na verdade, dois amores distintos. Podemos amar um país idealmente, numa imagem de glória, ou podemos amar um país exposto a imensos riscos. São dois amores diferentes, mas quando é a fragilidade que nos inflama, a chama e a força do amor é muito maior. É na adversidade que se conhece o verdadeiro amigo e, neste caso, o verdadeiro patriota.
É interessante a etimologia da palavra liberdade “libertas” que significa livre e libertação. Portanto, só se sente livre aquele que liberta os outros. Celebrar a liberdade significa, portanto, reabilitar, sentir que fazemos parte dos outros, empenharmo-nos na qualificação fraterna da vida comum. A liberdade desvitaliza-se quando perde a dimensão humana, quando deixa de colocar a pessoa no centro, quando não se preocupa com a justiça social, quando os primeiros se esquecem dos últimos.
Velhos e jovens, reformados e jovens à procura do primeiro emprego todos devem sentir a dignidade da inclusão. Portugal é uma viagem que fazemos juntos e o maior tesouro que esta nos tem dado é a possibilidade de ser em comum. E uma grande viagem é como um grande amor, que nos propõe a união pela liberdade.

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