A difícil coragem de viver

Países como a França e a Bélgica enfrentaram acontecimentos de uma violência extrema, motivados pela ideologia islâmica, totalitária e brutal, que nos marcaram para sempre.

Ataques numa sala de espectáculos, em Paris, e numa sala de jornal, bombas no metropolitano e no aeroporto, em Bruxelas, num intervalo de poucas horas, fizeram dezenas de mortos e feridos.
Após acontecimentos de um tal violência sentem-se arrepios ao passar pelos lugares onde pessoas passaram os últimos momentos em sofrimentos atrozes.
Mesmo os que apenas assistiram, ficaram marcados para toda a vida e, por vezes, os pesadelos fazem parte do seu quotidiano.
Dentro em breve, o processo irá a julgamento na cidade de Bruxelas, após ter tido lugar em Paris onde os autores sofreram pesadas condenações. As vítimas não podem ser esquecidas, e um processo judiciário dar-lhes-á alguma paz de espírito e, talvez, reparação, mesmo se não lhes restituirão nem as vidas nem lhes diminuirão os sofrimentos.
Não se imagina a dor e a indignação acumulados em semelhantes processos que não são fáceis de gerir.
A imprensa mostrou, há dias, a entrevista de uma vítima que me impressionou fortemente pela sua coragem de resistir e de viver. Ao ler a maneira como agora vive, lembrei-me dos livros que descreviam a vida heróica dos santos e das pessoas que levaram uma existência fora do comum.
Trata-se de uma jovem americana, desportiva de alta competição, que no dia 22 de março de 2016 encontrava-se no aeroporto de Bruxelas para ir visitar a avó aos Estados Unidos. A potente deflagração mortífera que causou dezenas de mortos deixou esta jovem a um canto, entre os mortos e feridos, com feridas e ossos partidos por todo o corpo, ventre dilacerado, coberta de sangue, irreconhecível. Gritava na sua sua língua materna: I’m dying! (vou morrer), mas os socorros demoraram a chegar e todos os segundos eram preciosos. Levaram-na para o hospital e quando os médicos lhe retiram o lençol que lhe cobre o corpo, recuaram de pavor perante autênticas feridas de guerra, esperando-a um calvário de operações para poder sobreviver.
A sua capacidade de desportista de alta competição foi-lhe bem necessária para superar as numerosas operações aos braços e às pernas, intervenções ao estômago, aos intestinos, aos pulmões. Mais de sessenta operações, uma perna e a bacia destruídas, quase sem estômago, sem pâncreas, dificuldades em respirar, sem contar as dificuldades psicológicas.
Como aguentar tanta dor no dia a dia? Como poderá continuar a viver? Quantas vezes não lhe terá passado pela ideia deixar-se simplesmente morrer?
Esta antiga atleta conserva a força mental e psicológica dos grandes competidores desportivos e cada dia que passa é uma ressurreição para a vida. Com a sua vontade de continuar a viver, pretende mostrar aos seus familiares e àqueles que se ocupam dela que com uma grande força de vontade é possível ultrapassar as dificuldades, consciente de que tudo se pode superar desde que haja amor e ternura à sua volta. A fé no Cristo ressuscitado tem-na ajudado a viver. Diz ela: “tal como o Cristo, desloquei também a pedra do meu túmulo. Estive quase morta. Um céu azul, como no dia do meu acidente, lembra-me a paz que chegará após a ressurreição, a minha alma terá a paz, e já cá não estarei para sofrer e para lutar.”

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