Opinião

Tenho que vos dizer que possuo uma visão muito própria sobre a meteorologia.

Não costumo ficar satisfeito com as campanhas eleitorais

E se, por um momento, puséssemos de parte os teclados que invadiram os nossos modos de viver para comunicar com os outros, através de mail, SMS, servindo-nos de smartphones e computadores e toda uma panóplia de máquinas?

Histórias que a Vida Conta

Desde o alvorecer da democracia, que nunca estive afastado de um campanha eleitoral como aquela a que aqui me refiro.

Gentes da Guarda

Quem nunca terá utilizado a palavra “oxalá”? Não será das mais utilizadas.

Lembro-me que, quando o meu pai faleceu, numa noite fria de Dezembro, muito perto do dia de Natal, foi, de facto, um triste momento ao saber que passaria deste mundo para o outro. Mas, visto agora à distância, foi ao mesmo tempo, muito apaziguante, sereno, digno. A esposa, minha saudosa mãe e os irmãos que o velávamos puderam dizer-lhe adeus, acariciar-lhe o rosto e as mãos até ao último momento de vida. Pouco depois, a restante família, os amigos e conhecidos reuniram-se, como era hábito, para celebrar o rito das exéquias fúnebres.Diz-se que aquilo que nos diferencia dos animais é o rito das inumações, o culto dos mortos, o luto. No tempo da primeira vaga da Covid-19, uma legislação férrea não permitiu organizar os enterros com a dignidade que os nossos entes queridos merecem. Houve gestos, cerimónias fúnebres que não se puderam realizar. As famílias ficaram chocadas e ainda não conseguiram fazer o luto dos que partiram. Faltaram-lhes os gestos que são essenciais nestes derradeiros momentos. Não puderam ver o defunto no caixão, não sentiram o abraço caloroso de um amigo, não ouviram palavras de consolação.As únicas palavras que se ouviam eram as que as cadeias de televisão transmitiam todas as noites e que continuam ainda a transmitir, fazendo o cômputo das mortes, de maneira teatral, com gráficos e números de infetados e em cuidados intensivos a entrar e a sair, reforçando a ideia de que há apenas falecimentos relacionados com a Covid-19.  Para obviar à falta de cerimónias funerárias que não puderam ser organizadas na primeira vaga da pandemia, por que não optar por organizar segundas exéquias para comemorar a memória dos defuntos?  Devo dizer que já não foi a primeira vez que assisti a estas cerimónias fúnebres, a meses de distância do falecimento. É quase uma necessidade para a família ficar em paz. E as cerimónias celebradas na igreja obedecem a um ritual talvez mais digno do que as outras. O celebrante colabora também no memorial da lembrança do defunto, juntamente com familiares e amigos que recordam momentos importantes da vida do falecido. Alguns dizem coisas que os próprios enlutados desconheciam sobre o defunto, por vezes com algum humor, o que torna mais ligeiro o ambiente pesado de dor ao ver partir um familiar. É um momento importante e a palavra não é dada apenas ao celebrante. Os amigos mais próximos ou mesmo os familiares, geralmente no fim da celebração, dirigem-se ao defunto como para o fazer reviver. Esta maneira de celebrar os funerais ainda não se generalizou em Portugal, cujas cerimónias acentuam muito a ausência definitiva do defunto e, consequentemente, a dor dos familiares. No país onde vivo e também na França, a celebração dos enterros é sempre bastante bem preparada com o celebrante para haver uma homenagem unânime, de maneira a se poder sair em paz de uma cerimónia onde haveria tendência à tristeza, à dor, ao sofrimento de ter perdido um ente querido. Eu prometi a mim próprio que não deixarei partir alguém que me seja próximo, sem lhe dirigir palavras de amor e de apreço. Já o fiz por ocasião de vários falecimentos de familiares e amigos. É um dever encontrar as palavras certas que possam “consolar” o defunto e os familiares.