A ACAP – Associação Automóvel de Portugal apresentou o balanço de 2019 no que diz respeito ao desempenho do setor automóvel.

Apesar da ligeira quebra registada na venda de veículos novos face a 2018, os veículos movidos a energias alternativas estão em aceleração e a produção automóvel cresceu 17%. Com o peso do setor automóvel nas receitas fiscais do Estado em 2019 a manter-se acima dos 20%, a ACAP apresentou cinco propostas para uma ainda maior dinamização do setor.Segundo a associação, a produção automóvel em Portugal registou um crescimento de 17% face a 2018. No que toca à produção, em 2019 foram produzidos 346 mil veículos, número superior ao mercado automóvel nacional, e que coloca Portugal no clube dos produtores automóveis. 97% dos veículos fabricados em território nacional tiveram como destino os mercados internacionais, com a Alemanha no topo das vendas (23,3%), seguido de França (15,5%), Itália (13,3%) e Espanha (11,1%). A produção automóvel nacional representa um volume de negócios de 16 mil milhões de euros, 71 mil empregos diretos e cerca de 600 empresas a montante do processo de fabrico.No campo das vendas, no ano transato o mercado automóvel nacional registou uma ligeira quebra de 2% face a 2018. No topo da lista dos modelos mais vendidos estão Renault Clio, Mercedes Classe A e Renault Captur. Já nos veículos elétricos, o top 3 é liderado pela Tesla, seguida da Nissan e da Renault. Os veículos movidos a energias alternativas cresceram, passando os elétricos a representar 3,1% do mercado. O mercado voltou a registar aumento de veículos importados, nomeadamente a gasóleo. Os importados têm uma cilindrada média de 1613cc, e uma idade média de 5,5 anos.A ACAP apresentou ainda cinco propostas ao Governo para acelerar o sector. A primeira é a reposição do Programa de Incentivos ao Abate de Veículos em Fim de Vida. O abate de 330 mil automóveis iria diminuir a idade média do parque em 1 ano, o que permitiria uma poupança de 164 milhões de litros de combustível, e que equivale a 230 milhões de euros no ano. A medida iria também resultar numa receita fiscal líquida de 83,5 milhões de euros. Isto porque a despesa fiscal seria de 21,9 milhões de euros, mas a receita global (incluindo ISV, IVA e IUC) seria de 105,4 milhões de euros. Valores relativos a uma previsão conservadora de abate de 25.000 veículos em fim de vida.A segunda proposta passa pela dedução generalizada do IVA na gasolina para as empresas, tal como historicamente já acontece no gasóleo. A terceira proposta passa pela reformulação das taxas de Tributação Autónoma, considerando que a alteração introduzida no Orçamento do Estado para 2020 é ainda insuficiente (o limite de €25.000 passa para €27.500, mantendo se a taxa de 10%). A quarta proposta da ACAP passa pela criação de um grupo de trabalho de fiscalidade, no quadro da evolução para a descarbonização, passando a carga fiscal para a circulação, e reformulando o IUC. A quinta e última proposta da ACAP visa a presidência portuguesa da União Europeia, no primeiro semestre de 2021, período que a associação defende que seja reaberto o processo de harmonização fiscal sobre o automóvel na U.E.. A ACAP apresentou ainda dados sobre reciclagem dos veículos. Através das sociedades Sogilub, Valorcar e Valorneu, é possível reaproveitar 95% dos componentes do automóvel.  Até agora foram reciclados 833 mil veiculos, recolhidas 389 mil toneladas de óleo e 13 350 baterias, e ainda reutilizados 130 300 pneus.