SERVE: Não para ter a glória do mundo, mas para que a Cruz dos irmãos seja mais leve.

DOMINGO DE RAMOS NA PAIXÃO DO SENHOR

Na celebração deste Domingo de Ramos na Paixão do Senhor, temos dois momentos distintos que nos fazem recordar em primeiro lugar, “Aquele que é Bendito porque vem em nome do Senhor” e em segundo lugar Aquele que carrega a Cruz para o Calvário e que suspenso entre o céu e a terra clama com voz forte: “Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonaste?”
Assim estes dois momentos podem ser vistos à luz da narração dos evangelhos e realçar a perspetiva de cada um que foi destinatário da ação de Jesus.
A entrada triunfal de Jesus na cidade santa de Jerusalém e os gritos e cânticos a bendizer Aquele que vem em nome do Senhor, pode ser vita da perspetiva dos que Jesus curou, dos que foram atendidos nas suas suplicas, dos que na sua pobreza e insignificância foram exaltados, dos que foram saciados na sua fome, dos que foram libertados das amarras da lei e de todos os que esperavam um “messias rei”.
O segundo momento, a narração da Paixão e Morte, pode ser vista na perspetiva daqueles que se sentiram ameaçados no seu poder, aqueles que foram desmascarados, aqueles que não foram capazes de ver el Jesus o messias de Deus, aqueles que impunham as leis e preceitos como forma de dominarem o povo e aquele que Jesus chamou “sepulcros caiados de branco”.
Por isso, o Domingo de Ramos na Paixão do Senhor, recorda-nos o exemplo e os ensinamentos de Jesus, o Filho de Deus que, “não veio para condenar o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por Ele”, requerendo para isso a adesão e aceitação do Seu projeto salvífico. Assim, hoje, somos nós, seus discípulos, aqueles que pela fé adulta e esclarecida, transmitimos e propomos caminhos de discipulado aos que foram cumulados pelas bênçãos de Deus e caminhos de descoberta dos ensinamentos de Jesus, aos que seguem noutra direção.
Neste ano litúrgico, o texto do Evangelho de São Marcos, na bênção dos ramos, recorda-nos Jesus montado num jumentinho a entrar e Jerusalém. As capas e os ramos de verdura no caminho, dão mais força à aclamação: “Hossana! Bendito O que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel!” E este grito era revelador dos que acreditavam ser o Messias Rei que voltaria a trazer para o presente o esplendor e o auge do passado. Esta visão de messianismo será alterada pela verdade com que Jesus cumpre a vontade do Pai, o “Servo Sofredor” que realiza a missão redentora.
Na missa, a primeira leitura do livro de Isaías, fala do “Servo de Deus”, que se oferece, como vítima pelos homens seus irmãos. Entrega-se confiando em Deus-Pai que o assistirá, sabendo que a Sua missão passa pela morte, e que pela ressurreição será exaltado.
Por isso a segunda leitura, da Carta de São Paulo aos Filipenses, realça a condição divina de Jesus, como forma de valorizar ainda mais o Seu aniquilamento, humilhando-se de tal forma que obedeceu até à morte e morte de cruz. Pela obediência alcançou a exaltação e o nome que O carateriza como Senhor, leva os homens a adorá-Lo com Senhor da vida e glorificar a Deus-Pai.
A Narração da Paixão do Evangelho de São Marcos está cheia de pormenores que nos ajudam a seguir os passos de Jesus numa proximidade que nos insere nos diversos acontecimentos da Sua condenação à morte. Começando por Betânia, em casa de Simão o leproso, onde a visão distorcida sobre o valor desperdiçado no perfume com que Jesus foi ungido, trazendo os pobres à conversa, sem se importarem verdadeiramente com eles. Passando pelos preparativos para a Páscoa, e a última ceia, onde Jesus se faz presente na matéria para a eucaristia, o Pão e o Vinho: “Tomai e comei, isto é o meu corpo”, “Este é o Meu sangue, sangue da nova aliança…”. O momento de abandono e de oração no jardim das oliveiras, o beijo frio da traição e o ser levado às autoridades como um impostor, acusado por testemunhas falsas, mas assumindo que é “o Messias, o Filho de Deus Bendito”, até à tríplice negação de Pedro e aos gritos da multidão: “Crucifica-O!”
O caminho para o Calvário, ser despojado das Suas vestes e da Sua dignidade e ser crucificado, insultado com os gritos:” Salva-Te a Ti mesmo”, o clamor com que faz do versículo do salmo, o Seu grito ao Pai e o expirar que leva à profissão de fé do Centurião: “Na verdade este homem era Filho de Deus”.
A descida do corpo morto de Jesus da Cruz, Maria Sua mãe a recebê-Lo no seu colo e o silêncio do sepulcro que guardará o segredo da Vida Nova da Ressurreição.
Ao longo desta semana meditemos na Paixão do Senhor, nos homens, mulheres e crianças que hoje são impiamente levados pelo caminho do sofrimento e da morte.

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