o tempo da Igreja e o tempo do Espírito

DOMINGO VI DA PÁSCOA
OS CAMINHOS NOVOS DA PÁSCOA:

As leituras deste VI Domingo do tempo Pascal, levam-nos ao encontro da promessa de Jesus fez aos seus discípulos, antes da Sua morte, de que receberiam outro defensor, o Espírito Santo; levam-nos também à certeza, segundo São Pedro, que se tivermos Cristo no coração estaremos sempre preparados para responder sobre a razão da nossa Esperança e levam-nos ainda a reconhecer que aqueles que acolhiam a Palavra Anunciada eram confirmados pela imposição das mãos dos Apóstolos.
Segundo os relatos dos Atos dos Apóstolos, podemos dizer que o tempo pascal é o Tempo da Igreja e o Tempo do Espírito por excelência. Vemos como fundada na Ressurreição de Cristo, a Igreja, cresce e expande-se pela ação do Espírito Santo.
A primeira leitura realça que a ação da Igreja nascente é marcada pela unidade, em que o anúncio da Palavra de Deus e o batismo, acolhidos pelos Samaritanos pela palavra de Filipe, são confirmados pela presença dos Apóstolos Pedro e João, no gesto da imposição das mãos.
Assim o anúncio da Boa Nova faz com que aqueles que a acolhem, se juntem à comunidade e movidos pelo Espírito, farão com que a Comunidade viva a fé com maturidade e o crescimento seja sustentado pela Unidade.
O Evangelho apresenta-nos Jesus, na véspera da Sua morte, a deixar esta certeza àqueles que o amam, os discípulos, que não os deixará sós e abandonados, mas pedirá a Deus-Pai, um defensor que permanecerá com eles.
Este defensor, o Espírito da Verdade, habita com aqueles que amam o Senhor Jesus, tornando-se força para o cumprimento dos seus mandamentos. Por isso, o próprio Senhor Jesus acentua que o Amor se baseia em fazer a Sua vontade, porque revela a comunhão com Ele, como a unidade d’Ele com Deus-Pai.
É esta promessa de enviar o Paráclito, o Espírito da Verdade, o Defensor, que se concretizará no dia de Pentecostes que faz com que a missão confiada aos seus discípulos seja concretizada com entusiasmo e sem receios porque não estão sós.
Assim a ação do Espírito Santo na vida da Igreja é selo de qualidade e de garantia que vai construindo a maturidade naqueles que vivem a sua vida segundo a lógica do Evangelho. Cada cristão tem como objetivo, ou deveria ter, ser um só em Cristo: “Vós estais em mim e Eu em vós”.
É nesta perspetiva que São Pedro, na segunda leitura, nos deixa esta exortação: “venerai Cristo Senhor nos vossos corações”. Assim o cristão adulto procura que o Conhecimento/Razão e a consciência não se afastem do seu coração, para que esclarecidos na sua fé, pela doutrina fundamentada, possam “sempre responder, a quem quer que seja, sobre a razão da nossa Esperança”.
No coração do discípulo de Cristo deve estar sempre a preocupação da formação também de uma boa consciência para que tomando decisões imbuídos de critérios evangélicos, manifeste esta mentalidade cristã, ou seja, o pleno conhecimento das exigências morais e éticas que o ser cristão requer.
A tentação de olhar com facilitismo e suspeição constantes face às propostas da Igreja, por parte de tantos cristãos, leva à perda do sentido da pertença à comunidade eclesial que tem como missão levar a certeza da salvação.
Só uma boa formação da consciência pode evitar aquilo que o Papa Francisco define como “Corrupção Espiritual”, isto é, “uma cegueira cómoda e autossuficiente, em que tudo acaba por parecer lícito: o engano, a calúnia, o egoísmo e muitas formas subtis de autorreferencialidade”: perdem-se assim, a noção do pecado, o caminho da santidade, entrando-se numa espécie de sonolência e entorpecimento em relação ao próprio agir.
Que o Espírito de Deus nos dê a capacidade de discernimento para fazermos as melhores opções que contribuam para um mundo melhor.

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