O mundo está a ficar mais escuro e mais insonso?

Domingo V do Tempo Comum

 

Na Liturgia da Palavra deste quinto domingo do tempo comum, mormente no Evangelho, os desafios que nos são colocados, surgem deste Sermão da Montanha, que o evangelista são Mateus dá eco e que nos acompanha nestes domingos.
Depois de apresentar as linhas mestras do discipulado através das Bem-Aventuranças, Jesus continua a falar para os discípulos, para se consciencializarem da sua missão no mundo. Hoje, como no passado, aqueles que se assumem como discípulos de Cristo, isto é, cristãos, são desafiados a viver segundo os ensinamentos do Mestre, em qualquer lugar ou em qualquer circunstância.
Assim hoje, no Evangelho, Jesus diz-nos: “Vós sois o sal da terra… vós sois a luz do mundo” (Mt 5, 13-15) Estas imagens ajudam-nos a aprofundar o significado e o sentido da vivência da nossa fé.
O sal, todos nós sabemos para que serve, para temperar, para dar sabor, para que os alimentos, a comida seja saboreada e assim gostemos dela. É a ação invisível do sal que faz com que a comida nos dê uma exaltação dos sabores dos diversos ingredientes. Ora se nós, discípulos de Cristo, somos chamados a dar sabor à vida em Igreja, em sociedade e no mundo, então a nossa missão é extremamente importante e ao mesmo tempo exigente.
Por isso, procuramos como Cristãos o equilíbrio que ajude os outros a saborear, os ingredientes da fé e da vida cristã. De certo que sabemos que se a quantidade de sal for pouca ou se for exagerada, o equilíbrio perde-se e estraga-se a comida. Assim também na vivência da fé e da vida cristã, não queremos exagerar na quantidade, donde surgem os radicalismos e extremismos, que tiram o equilíbrio e sabor à vivência da fé. Também não queremos faltar com a quantidade necessária, senão também a vivência da fé cristã se torna insignificante e despercebida.
Que recordemos diariamente o que o Evangelho nos recorda na boca de Jesus: “Vós sois – HOJE – sal da terra”.
A outra imagem que Jesus apresenta é a da luz: “Vós sois a luz do mundo”. E assim encontramos na explicação de Jesus, o realçar do exemplo de cada um de nós, nas boas obras, para que a Sua Luz brilhe em nós.
É este exemplo das boas obras e da sua luz que já o profeta Isaías na primeira leitura chamava à atenção, porque não fazia sentido a preocupação dos que eram abastados em relação ao culto divino, que queriam restaurar, se não se importavam com os pobres e os indigentes, virando as costas aos seus semelhantes.
Por isso, já o profeta apelava para tirarem do meio deles a opressão, os gestos de ameaça e as palavras ofensivas, para que dessem de comer a quem tinha fome e aí sim, “a tua luz brilhará na escuridão e a tua noite será como o meio-dia”. (Is 58,10)
Por isso a vivência da fé, a missão e o ser discípulo de Cristo, têm como essência o pôr em prática aquilo em que se acredita segundo o Palavra de Deus e assim demonstrar pelas boas obras o Amor de Deus por cada um nas suas circunstâncias. Ora não é só com palavras bonitas e sábias que se dá a conhecer o projeto salvífico de Deus, mas também e essencialmente através dos gestos e das boas obras que acompanham e credibilizam as palavras.
Assim o entendeu São Paulo, quando na segunda leitura diz aos cristãos de Corinto que a sua pregação não se baseava na sabedoria humana e na sua linguagem, mas na manifestação do Espírito Santo nas Palavras e nas Obras. Pois, se a sua pregação se baseasse nas ciências e na persuasão da linguagem humana, tirava a força à mensagem de Salvação e desvirtuava o poder da Cruz de Cristo.
Assim neste domingo levemos das nossas celebrações, os motivos para aprofundar a nossa vivência da fé, sempre com o equilíbrio necessário, para sermos Igreja, para sermos Comunidade que por todos os seus membros seja vivida com entusiasmo a afirmação de Jesus: “Vós sois o sal da terra, vós sois a luz do mundo” “Assim deve brilhar a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus”. (Mt 5, 13-16)

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