“Eu sou a Ressurreição e a vida.” – Acreditas nisto?

DOMINGO V DA QUARESMA
COM A CRUZ A CAMINHO DA PÁSCOA: No Domingo de Lázaro…

Neste quinto domingo da quaresma a Palavra de Deus, que nos é proclamada, leva-nos a refletir sobre a maneira como a ação do “Espírito Santo, Senhor que dá a Vida”, nos revela os caminhos da Vida Nova nascidos do mistério pascal.
Assim, encontramos na primeira leitura da profecia de Ezequiel, a descrição do contexto do Exílio da Babilónia como o “túmulo” onde o resto de Israel se encontrava e a decisão divina de fazer regressar à sua terra estes poucos, como imagem de uma vida nova que o Espírito dava aos ossos ressequidos.
Esta decisão de Deus, havia de criar no Povo sobrevivente a verdadeira consciência de que o Senhor promete e cumpre o que diz. É esta dimensão nova da vida, no regresso à sua terra, vista como um recomeço, um novo início que proporcionará uma fé nova nascida e sustentada pelo Espírito de Deus.
Na segunda leitura São Paulo, diz aos cristãos de Roma e hoje diz-nos a nós que, os que vivem segundo a carne, isto é, aqueles que orientam a vida apenas pelos apetites, sem que nela haja lugar para Deus, estão destinados à morte. Mas aqueles que foram justificados, isto é, salvos, embora continuem mortais, são destinados à Ressurreição, porque têm em si, pela graça batismal, um princípio de vida, que é o Espírito Santo.
Por isso acreditamos, que a Caminhada Quaresmal, nos ajuda a renovar a consciência de que ”O Espírito d’Aquele que ressuscitou Jesus de entre os mortos habita” em nós.
O episódio e o acontecimento narrado por São João no Evangelho, coloca diante de nós, mais um sinal da divindade de Jesus. Na dimensão humana e na relação com as pessoas, Jesus dá-nos também sinais de como a amizade, a proximidade, a família, a hospitalidade, marcam o coração de qualquer pessoa e manifestam os sentimentos que fortalecem a relação com Deus. Assim, é no seio desta família de Betânia, com a qual Jesus tem uma relação próxima e bela, que acontece a morte do Seu amigo Lázaro. Suas irmãs, Marta e Maria, ainda mandam dizer a Jesus que o Seus amigo está doente, mas Jesus escuta a notícia e encontra nela motivo para que a glória de Deus se manifeste. Por isso, é no contexto da fé judaica, em que alguém podia voltar à vida até ao terceiro dia, que Jesus chega a Betânia e Lázaro estava sepultado há quatro dias.
É neste contexto que Jesus apresenta a nova perspetiva da fé, assumindo-se como “a Ressurreição e a Vida”. Teu irmão ressuscitará, porque “Eu sou a Ressurreição e a Vida. Quem acredita em mim, ainda que tenha morrido viverá; e todo aquele que vive e acredita em mim, nunca morrerá”. (Jo 11, 25-26)
A fé é uma postura diante de Deus que manifesta uma confiança total e uma humildade que aceita a vontade do alto, por isso, a pergunta que é feita a Marta no seu contexto, é agora repetida a todos e a cada um de nós, no nosso contexto social, cultural, mediático e relativista.
Num ambiente em que a demonstração empírica se sobrepõe à aceitação pela fé, é-nos perguntado: Acreditas? E a concretização da personificação da fé, “que Eu sou a Ressurreição e a Vida”?
É neste tempo histórico, em que vivemos, que somos chamados a viver a nossa condição de crentes, para que no meio das dificuldades, consigamos ter como âncora da nossa fé, a presença do Espírito que nos dá a clarividência para nos caminhos da vida tomarmos as decisões que fortalecem a nossa confiança no Senhor Ressuscitado e a humildade de O acolher no nosso coração como O amigo que bate à porta.

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