DOMINGO XXIX DO TEMPO COMUM

Dai a Deus o que é de Deus! Ao cumprimos as nossas obrigações de cidadãos, não deixemos de cumprir as mesmas de cristãos.

A Liturgia da Palavra deste XXIX Domingo do tempo Comum, coloca diante de nós as escolhas de Deus, fugindo aos critérios dos Homens, a vivência na comunidade humana e cristã, com as dimensões da fé, esperança e caridade e a visão da complementaridade em cumprirmos as nossas obrigações para com Deus e para com o bem social.
Assim, nos desígnios de Deus, o pagão Ciro, Rei da Pérsia, como a primeira leitura nos recorda, foi instrumento nas mãos de Deus, para fazer com que os exilados da Babilónia, os que pertenciam ao Povo de Deus, pudessem regressar à sua Pátria.
O profeta Isaías mostra assim, com esta missão confiada a Ciro, baseada na escolha e insondável desígnio de Deus, proporciona que a missão “politica” esteja ao serviço de Deus, sendo, pois, um instrumento escolhido para a realização da vontade divina.
Quando Deus chama para uma missão concreta e confia a determinada pessoa um desafio, não olha a raças, origens, ideologias ou até a pecados, porque Deus tem capacidade de transformar os corações daqueles que escolhe, não escolhendo por serem mais capacitados que os outros, mas prometendo capacitar aqueles que chama e envia.
No Evangelho, o episódio descrito, veem-se alguns opositores de Jesus a tentar ludibriá-l’O com uma questão política. Se Jesus tivesse respondido sim à pergunta se era lícito pagar o tributo a César, revoltaria o Povo e aumentaria o sentimento de ódio para com o Império Romano, porque se sentia muito oprimido por ele, associando Jesus como aliado dos opressores, se dissesse não, acusavam-n’O perante o Poder Romano, e assim O incriminavam diante das autoridades. Jesus que conhecia a sua malícia e as suas intensões dá a resposta que revela a Sua sabedoria e a maneira como os que Lhe queriam armar uma cilada saíssem diante d’Ele sem O poderem contestar.
Assim encontramos na resposta de Jesus, “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” um alerta intemporal para aqueles que O seguindo como discípulos devem cumprir as suas obrigações de cidadãos e cumprir as suas obrigações para com Deus.
Por isso a Palavra de Deus, vai-nos recordando, a nós que levamos a condição de Cristãos na nossa vida, que não devemos descuidar as nossas obrigações enquanto cidadãos, pelo que não estamos acima dos demais nesses deveres: Pagar impostos, cumprir as obrigações fiscais com transparência e verdade, exercer o dever cívico do voto e contribuir como cristão-católico, na política do bem comum.
Mas a outra dimensão é igualmente, pertencendo a Deus é a Ele que primeiramente devemos agradar. Por isso, tudo o que seja pautado pela injustiça ou contra os valores absolutos defendidos pelo Cristianismo, como a inviolabilidade da vida humana, devemos contestar como a voz profética que não se deve calar.
Por isso a segunda leitura, lembra novamente, que cada cristão torna-se presente no mundo pela a atividade da sua Fé, pelo esforço que faz em exercer a verdadeira Caridade e pela firmeza que mostra a sua Esperança em Jesus Cristo, para que as palavras que anuncia, acompanham sempre as obras que realiza.

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