D. José Ornelas diz que resultados do relatório da Comissão “não podem ser ignorados”

Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa agradeceu o trabalho realizado pela Comissão Independente

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa disse, esta segunda-feira, 13 de Fevereiro, que os resultados do relatório final da Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais de Crianças na Igreja Católica “não podem ser ignorados”.
“Ouvimos coisas que não podemos ignorar. É uma situação dramática que vivemos, não é fácil ultrapassá-la, não nos iludíamos também sobre o que havia de ser, mas queria sobretudo deixar uma lembrança para as vítimas, que é por elas que fizemos tudo isto também”, afirmou D. José Ornelas aos jornalistas.
D. José Ornelas disse que o seu “primeiro pensamento” se dirigia às “vítimas” e o “segundo para a comissão”, deixando um “grande agradecimento” pelo trabalho realizado por “pessoas competentes, pessoas apaixonadas” e que “viveram emocionalmente tudo o que fizeram”.
“Não se pode passar por isto sem essa emoção profunda e empatia mas trabalharam independentemente porque foram essas as condições desde o início”, sublinhou.
O arcebispo de Évora destacou a atitude “de reflexão” em que o relatório coloca a Igreja.
“Temos consciência de que não foi um processo bem conduzido; que temos de pedir profundo perdão a todos; temos consciência que está tudo a começar, um caminho novo a fazer; temos consciência que foi uma boa opção de partir com realidade e conhecimento dos factos, por isto esta comissão independente. E queremos, de verdade e com todas as nossas forças, dentro da realidade que é a Igreja – que é uma parte da sociedade – fazer com que estas coisas não voltem a acontecer”, explicou D. Francisco Senra Coelho.
O arcebispo de Évora manifestou-se “chocado com todos os relatos”, mas deu conta que “mais ou menos” se tinha noção dos números, sustentando que deve haver processos sobre os suspeitos que estejam ainda no activo.
O responsável pela Arquidiocese de Évora admitiu ainda que “os vários pedidos de desculpa” que a Igreja já fez podem não ser “suficientes”.
“A dor não tem prazo para terminar, a dor não caduca”, afirmou, sublinhando a preocupação da Igreja com a dor das vítimas que, reconheceu”, “não prescreve”.
José Souto Moura, presidente da Equipa de Coordenação Nacional das Comissões Diocesanas de Protecção de Menores reconheceu a dificuldade na investigação das denúncias.
“Parece-me evidente que a falta de elementos que permitam a investigação é muito frequente e isso impossibilita uma investigação. Se não for a vítima a reportar o facto é praticamente impossível investigá-lo”, explicou.

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