Os doentes são pessoas

Os doentes são pessoas

No dia 11 de Fevereiro celebra-se o Dia Mundial do Doente, este ano com o tema “Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei”.Numa altura em que aumenta a contestação em relação ao Serviço Nacional de Saúde é importante não esquecer que os doentes são pessoas e, por isso, tal como lembra o papa Francisco, as estruturas de saúde devem ser cada vez mais casas de acolhimento e conforto, onde o doente encontre amizade, compreensão, gentileza e caridade. Principalmente um lugar em que os debilitados fisicamente encontrem humanidade.Nunca podemos olhar para o doente como um número, como algo que é facilmente descartável. Tem de ser visto como pessoa e com humanidade. Infelizmente, nos nossos dias, a saúde é muito vista apenas através da componente económica e financeira.Se uns assinalam o Dia Mundial do Doente lembrando a necessidade e o empenho de todos numa causa tão nobre que são as pessoas mais fragilizadas, outros que têm assento no Parlamento português preparam-se para discutir e votar a legalização da eutanásia, no dia 20 deste mês. O debate foi agendado, no dia 30 de Janeiro, em conferência de líderes por consenso entre os partidos que têm projectos de lei para a legalização da eutanásia (BE, PAN, PS e PEV). Mesmo sem conhecerem todos os pareceres do Conselho Nacional para as Ciências da Vida sobre os vários projectos em debate os ditos “nossos representantes” têm pressa de legislar sobre a morte. “O exemplo da Bélgica mostra que os alertas contra a banalização da morte não eram exagerados. O cenário mais negro veio a confirmar-se”, escreveu a directora de Informação da Rádio Renascença, no dia 31 de Janeiro.Graça Franco considera que “para os nossos deputados, está tudo esclarecido. Não têm mais dúvidas e estão prontos para votar uma lei que envolve, literalmente, uma questão de vida ou de morte”.Num Serviço Nacional de Saúde que parece rebentar pelas costuras, em que faltam mãos para tudo (para nos mudar as fraldas, nos enxugar as lágrimas, nos chegar um copo de água, ajustar-nos a roupa ao corpo, ajeitar a almofada que resvala, atender a campainha, como escreve Graça Franco) há alguns que querem encontrar mãos, não para nos aliviar, mas para nos matar.

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