A Guarda e os livros

O primeiro levantamento à escala nacional das práticas culturais dos portugueses em vários domínios da cultura realizado nos últimos meses de 2020

pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, com financiamento da Fundação Calouste Gulbenkian, revelou que mais de metade dos portugueses não lê livros. Uma triste realidade que não é novidade para ninguém e que, na Guarda, também ficou bem vincada na fraca adesão de público ao primeiro Salão do Livro “Guarda-Livros” que decorreu na Alameda de Santo André, de 30 de Junho a 9 de Julho.
Mas voltemos ao inquérito onde, no que respeita aos hábitos de leitura, revelou que, nos últimos 12 meses anteriores ao inquérito, 61% dos portugueses não leram um único livro em papel, e, dos 39% que afirmavam ter lido, a maioria leu pouco.
As conclusões também apontam para a existência de uma relação entre a educação e os hábitos de leitura, pois na infância e adolescência, a maioria dos inquiridos não beneficiou de estímulos à leitura gerados em contexto familiar. Os dados dizem que a grande maioria dos inquiridos assume que os pais nunca os levaram a uma livraria (71%), a uma feira do livro (75%) ou a uma biblioteca (77%).
O Salão do Livro, que ao longo de mais de uma semana ofereceu muitas e variadas propostas não só de leitura, mas também de conversa sobre livros e música, foi uma oportunidade de aproximar a gente da Guarda e da região de uma vertente importantíssima da aprendizagem e de maior conhecimento.
Sabemos que o caminho se faz caminhando e que é necessário criar hábitos nas pessoas mas, a fraca adesão ao primeiro Salão do Livro deita por terra a argumentação de tantos críticos que vivem num lamento constante contra a política cultural do município.
Uma palavra de estímulo às livrarias da Guarda que participaram neste projecto e que, ao longo do ano, estão de portas abertas para acolher os amigos dos livros e da sabedoria.

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