Guarda adia Feira Ibérica de Turismo por falta de financiamento

Investimento calculado superior a 1,1 milhões de euros

Um investimento calculado superior a 1,1 milhões de euros, sem garantias de financiamento, obrigou a Câmara Municipal da Guarda a adiar a realização de mais uma edição da Feira Ibérica da Turismo.
“Este ano, não vai haver FIT. O município da Guarda não pode despender mais de 1,1 milhões de euros na FIT, sem que haja um financiamento musculado para a mesma”, explicou o Presidente da autarquia, no final da reunião da Câmara da Guarda desta segunda-feira, 23 de Janeiro.
Sobre este assunto, Sérgio Costa disse que os eleitos do PSD não se pronunciaram, alegando que a decisão era da responsabilidade do executivo, e o vereador do PS considerou que os valores eram “muito elevados em função de outras necessidades que a Guarda tem”.
O autarca explicou que, em 2019, a FIT custou mais de 750 mil euros aos cofres do município e sem qualquer financiamento. Para a edição deste ano, o executivo pediu uma orçamentação aos técnicos e os valores apontam para um valor que “já ultrapassa 1,1 milhões de euros”.
“Não temos, ainda, qualquer garantia sobre se no futuro quadro comunitário de apoio, no Portugal 2030, que ainda não iniciou, como bem sabemos, se haverá financiamento para isso”, disse Sérgio Costa. E acrescentou: “Mas, até lá, seja com este modelo, seja com outro modelo mais ibérico, seja qual for, sem financiamento, nós não podemos fazer a FIT nestes moldes”.
O autarca fez mesmo algumas comparações para justificar esta tomada de posição, e explicou: “Quando nós temos uma Avenida de São Miguel a necessitar com urgência de ser requalificada, quando temos o Bairro do Bonfim no estado calamitoso que temos, quando temos necessidade de reabilitar as nossas infra-estruturas desportivas, como é sabido de todos, quando nós temos o aumento exponencial da inflação, um aumento brutal das despesas correntes com a energia, com os combustíveis, com a alimentação para os nossos refeitórios, nós não podemos fazer uma feira com esta envergadura, por estes montantes”.
Disse que o executivo gostaria de fazer a FIT, por considerar que se trata de “uma marca importante”, mas tem um impacto financeiro “muito, muito, mas mesmo muito elevado”.
Sérgio Costa referiu ainda que a Câmara da Guarda já procedeu ao registo da marca “FIT – Feira Ibérica de Turismo”, que tem por lema “Uma feira. Dois países. O mundo”.
A edição de 2023 da FIT ainda chegou a estar agendada para os dias de 28 de Abril e 1 de Maio.

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