Semana Nacional da Educação Cristã

Iniciamos o ano pastoral, mais uma vez, com a Semana Nacional da Educação Cristã.

Começa no próximo domingo e prolonga-se até ao domingo seguinte.
Desta vez, a Semana dirige-se, de modo especial, ao educador cristão, lembrando que a sua grande tarefa é ser guia no caminho; caminho esse que o educando há-de saber escolher e seguir, com entusiasmo e sentindo o apoio de alguém mais experiente e capaz de o ajudar.
Ora, o caminho verdadeiro faz-se sempre e só em direção ao que é realmente viver. E viver a sério é um processo de descoberta de si mesmo e do outro, no amor e na esperança, em constante saída.
Este é o caminho que o próprio Jesus propõe aos seus discípulos, qual Bom Pastor que guia as ovelhas sempre pelos melhores caminhos, rumo às pastagens verdejan­tes. Por isso, é na pessoa de Jesus que o educador cristão tem sempre de se inspirar e para Ele sempre há-de apontar, sabendo que n´Ele está a chave e a resposta para todas as interrogações que se colocam a cada homem e a cada mulher, embora em formas diferenciadas, consoante as etapas da vida e as circunstâncias envolventes de cada um.
Ao educador cristão pertence, em primeiro lugar, contribuir para que o educando descubra a sua riqueza pessoal, os dons que Deus lhe deu. Precisa, por isso, de o conhecer bem e ganhar a sua confiança, antes mesmo de lhe transmitir informações e conhecimentos. A prioridade de todo o educador e, portanto, também do educador cristão, é educar para o amor e no amor; e, neste processo, ajudar o educando a discernir quais são as opções a fazer, na sua vida concreta, para viver o amor.
A verdade sublinhada no Evangelho é que estes caminhos não podem coincidir com o caminho largo das facilidades, mas sim com o caminho estreito da exigência pessoal, o que nunca se pode esconder ao educando, sob pena de ele construir castelos sobre nuvens, que, mais hoje ou mais amanhã, geram desilusão.
Numa sociedade de consumo, que muitas vezes promete o impossível, é necessário transmitir a consciência de que os recursos também se esgotam e a contenção necessariamente tem de fazer parte dos nossos hábitos.
Dentro do processo educativo que procura abrir o educando para os horizontes largos da vida e dos valores que lhe dão consistência e sentido, a educação tem de ser sempre um processo envolvente, em que há-de participar a comunidade. De facto, e sobretudo hoje, no mundo e na cultura globalizada em que vivemos, só é possível educar promovendo a colaboração de todas as instituições ligadas à educação, como são a Família, a Igreja, a Escola e outras associações, sejam movimentos católicos, associações desportivas e culturais ou outras.
É esta também a grande recomendação do Papa Francisco, ao lançar, em 2019, o que ele chamou de Pacto Educativo Global.
Este envolvimento de toda a comunidade no processo educativo, com suas instituições e agentes, põe-nos também em sintonia com o caminho sinodal que a Igreja deseja relançar em todos os seus níveis, desde as paróquias e conjuntos de paróquias às Dioceses, passando pelas suas instâncias intermédias, como são os arciprestados e, continuando mais acima, ao nível de cada Conferência Episcopal e de cada Continente, para que o Sínodo Geral, agora marcado para outubro de 2023, seja realmente o sentir de toda a Igreja, em resposta às inspirações e interpelações do Espírito Santo.
Finalmente tenhamos em consideração que vivemos esta Semana Nacional da Educação Cristã em tempos de preparação próxima para a Jornada Mundial da Juventude/2023, que desejamos preparar da melhor maneira, com os nossos adolescentes e jovens, para depois colhermos os seus frutos, no relançamento dos nossos processos de educar na Fé.
Aos Catequistas, aos Párocos, aos Professores, aos Pais e Mães de Família, aos Comunicadores da Comunicação Social e outros responsáveis da sociedade deixamos o apelo desta Semana Nacional da Educação Cristã para entrar, cada vez mais, nesse Pacto Educativo Global, capaz de valorizar o contributo de todos para a construção pessoal dos educandos e o bem de toda a sociedade em que vivemos.
25.9.2022
+Manuel da Rocha Felício, Bispo da Guarda

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