Bispo da Guarda apontou a “realidade do sofrimento humano” na “chamada cultura do descarte”

Na homilia da Missa do V Domingo da Quaresma

O bispo da Guarda presidiu, neste V Domingo da Quaresma, 17 de Março, à missa na Igreja da Misericórdia, na Guarda onde falou sobre a “realidade do sofrimento humano”.
“Não podemos deixar de reconhecer o facto infelizmente muito comum, nas sociedades atuais, de a velhice e a doença serem vividas, muitas vezes, na solidão e, com frequência, no abandono. E porquê isto? A resposta está na cultura do individualismo e mesmo do economicismo, que exalta a produção e cultiva a eficácia a todo o custo”, afirmou D. Manuel da Rocha Felício.
Na homilia, o bispo salientou que esta mesma cultura “torna-se indiferente e até implacável, quando as pessoas já não têm força para produzir”.
Para D. Manuel Felício, “chega-se, assim, à chamada cultura do descarte, segundo a qual a pessoa deixa de ser considerada um valor em si mesma e passa a ser avaliada apenas como factor de produção e consumo”.
No que respeita aos cuidados de saúde, o bispo da Guarda referiu que “importa que eles coloquem sempre a pessoa no centro e dentro da lógica chamada de aliança terapêutica, a qual envolve o cuidador ou profissional de saúde, o paciente, a sua família e rede de relações”. E acrescentou: “É necessário que a pessoa seja cuidada em todas as dimensões que a definem, como são as familiares, as sociais, a relação consigo mesma e com Deus, dando o devido lugar à dimensão espiritual da vida humana”.
“Não podemos esquecer que estamos neste mundo com a necessidade imperiosa de viver na comunhão e na fraternidade e que a nossa vocação é o amor, que se vive sempre em relações de proximidade e de acompanhamento, sobretudo quando a fragilidade se manifesta mais ao vivo, como é o caso da chegada de uma doença mais ou menos grave”
D. Manuel da Rocha Felício aponta que a primeira obrigação que se impõe a cada um enquanto cuidadores uns dos outros “é o estar presente, manifestar proximidade e acompanhamento, procurando desfazer toda a experiência indesejável de solidão e abandono”.
“A Paixão e Morte de Cristo é chave de leitura para entendermos e vivermos todas as nossas fragilidades, incluindo os momentos de dor, de doença e da própria morte. Que Nossa Senhora, Mãe de Jesus, tal como viveu e guardou em seu coração os acontecimentos da Paixão e Morte de Seu Filho, nos ajude a contemplá-los e vivê-los também, deixando que a sua luz ilumine todas fragilidades da nossa vida”, concluiu.
Além da eucaristia, o bispo da Guarda presidiu à Procissão dos Passos que partiu e terminou na Igreja da Misericórdia.
“É, de facto, uma notável tradição promovida pela Irmandade da Santa Casa da Misericórdia, com a qual nos congratulamos. Este é mais um convite e uma oportunidade para colocarmos a Paixão e Morte de Jesus no centro da nossa meditação, ao longo destas duas semanas”, assinalou o bispo.
Na tarde de Domingo, o Bispo da Guarda também presidiu à procissão do Senhor dos Passos que, a partir da Igreja da Misericórdia, percorreu as ruas da cidade.

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