“Acompanhar as vítimas, sem descurar o acompanhamento dos culpados”

Bispo lembra abusos durante a Vigília Pascal, na Sé da Guarda

“Continuaremos a fazer tudo, fortalecidos na esperança que a Páscoa nos traz, para continuar este propósito, procurando identificar os males acontecidos, acompanhar as vítimas, sem descurar o acompanhamento dos culpados, que também é nossa obrigação”, disse o Bispo da Guarda, na homília da Vigília Pascal, em relação aos abusos dentro da Igreja. Na celebração que decorreu na Sé da Guarda, na noite de sábado para domingo, D. Manuel Felício garantiu que a Igreja está focada “em evitar que outros abusos venham a acontecer”.
Na homília, o Prelado explicou que Cristo “veio para implantar nas sociedades a verdadeira cultura da vida e fortalecer-nos na esperança para podermos construir o mundo novo que Ele, o Vivente, inaugurou”. E acrescentou: “Mas nós constatamos que, à nossa volta, há forças, umas mais às claras e outras mais às escuras, postadas em promover, o contrário, a cultura da morte. Temos disso consciência, o que mais nos determina a contribuir para que se cumpra no meio de nós a novidade da Ressurreição de Jesus”.
A este propósito, o Bispo da Guarda lembrou a entrevista que o Papa Francisco deu a um canal de televisão da Argentina, poucos dias antes de completar 10 anos de pontificado, quando foi questionado sobre os abusos dentro da Igreja. E explicou: “Ele disse que a determinação de acabar com eles veio já do seu antecessor, o Papa Bento XVI e que ele a continuou”.
D. Manuel Felício referiu de seguida que “também a Igreja em Portugal quis fazer da sua parte o que é preciso fazer para o cumprimento desse propósito. Para isso, nomeou uma comissão independente e garantiu-lhe as necessárias condições para desenvolver os seus trabalhos”. Considerou que a Conferência Episcopal correu riscos, ao tomar esta decisão, “sabendo nós agora do aproveitamento que, de facto, está a ser feito dos resultados do estudo desta Comissão”. E acrescentou: “Mas não podemos deixar de reconhecer que este foi um ato de coragem; e mais nenhuma instituição, pelo menos em Portugal, teve, até agora, a mesma coragem, embora sabendo que o problema em causa é da Igreja, que quer assumir todas as suas responsabilidades, mas também da sociedade enquanto tal, de que ela faz parte. Na realidade, o conjunto da sociedade em Portugal só terá vantagens, se assumir a mesma coragem e continuar este trabalho, em que a Igreja é pioneira”.
D. Manuel Felício deixou a garantia de que procurará “ identificar os males acontecidos, acompanhar as vítimas, sem descurar o acompanhamento dos culpados” e tudo fazer para “evitar que outros abusos venham a acontecer”.
Para isso prometeu “desenvolver acções de prevenção a montante, os seja, procurando, através da divulgação e aplicação de boas práticas, fazer da Igreja e suas instituições lugares verdadeiramente seguros para todos, a começar pelas crianças, adolescentes e jovens, que estão na fase de decidir o seu futuro e só têm a ganhar com os serviços que a Igreja lhes presta, em nome de Cristo e do Evangelho”.
O Bispo da Guarda disse também que, na entrevista, o Papa Francisco aponta a instrumentalização da justiça por alguma comunicação social, o que acaba por ser “um dos pecados do jornalismo”.
“A novidade da Ressurreição também nos inspira sobre os caminhos que precisamos de percorrer para tratar, sempre com justiça e respeito por todos os implicados, a matéria dos abusos”, referiu D. Manuel Felício.

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