Sérgio Costa diz que “actual modelo de gestão do Parque Natural da Serra da Estrela está doente”

Presidente da Câmara da Guarda aproveitou presença do Presidente
da República, na Guarda, para pedir afirmação da Coesão Territorial

“Não é aceitável que um incêndio lavre durante 7 dias em qualquer Parque Natural, muito menos na Serra da Estrela, a nossa maior área protegida terrestre”, disse o Presidente da Câmara da Guarda, na sessão que encerrou a visita do Presidente da República pelos territórios da Serra da Estrela afectados pelos incêndios florestais do último Verão. Sérgio Costa aproveitou a presença de Marcelo Rebelo de Sousa para dizer que “estamos perante uma situação gravíssima que não estamos a conseguir combater, ano após ano”.
O autarca referiu que “o actual modelo de gestão do Parque Natural da Serra da Estrela está doente”. Sérgio Costa adiantou que “os seis autarcas da Serra da Estrela, em uníssono, de braço dado, continuam com a esperança que o PNSE seja finalmente revitalizado”.
O autarca da Guarda deu conta que foram atribuídos para estabilização de solos e limpeza de linhas de água 9 milhões de euros, para uma área ardida de cerca de 30 mil hectares no PNSE, adiantado que em infra-estruturas municipais os prejuízos contabilizados ascendem aos 8 milhões de euros só no Concelho da Guarda, sendo as compensações previstas até ao momento de 1,5 milhões euros.
Recordou que no concelho da Guarda arderam vinte e sete fogos habitacionais, cinco delas como primeiras habitações e que as estimativas dos prejuízos ascendem a mais de um milhão e meio de euros e para as chamadas segundas habitações não há compensações previstas.
No sector empresarial os danos ascendem a meio milhão de euros, havendo ainda a contabilizar mais 300 mil euros de perdas em património cultural. A juntar a estes números estão ainda os danos causados no sector primário, que poderão ascender a largas dezenas de milhões de euros.
Perante esta realidade, Sérgio Costa pediu “que as gentes e o território da Guarda e do PNSE, não sejam esquecidos”.
Olhando para o que aconteceu no Verão de 2022, o autarca da Guarda deixou o desejo de que no próximo ano “tudo possa acontecer de forma diferente, aprendendo com os erros do passado”.
Sérgio Costa pediu que 2023 seja “um ano de viragem na forma de actuação de todos nós e de afirmação da Coesão Territorial, com a instalação do Comando da UEPS da GNR”, no concelho da Guarda. E concluiu: “Que 2023 seja o ano de afirmação da qualidade da prestação de cuidados de saúde no Distrito da Guarda, com uma população de cerca de 150 mil habitantes, através do nosso Hospital Sousa Martins e dos seus excelentes profissionais, assunto tão sensível para a fixação de pessoas no nosso território, seja pela manutenção da nossa maternidade, seja pela manutenção da qualidade dos serviços das demais especialidades”.
O Presidente da República fez “um balanço positivo” da visita pelo território da Serra da Estrela afectado pelo incêndio do último Verão, lembrando que “o prioritário é salvar vidas humanas e que a seguir há outras prioridades”. Referiu que “na Serra da Estrela há um risco muito elevado” e, por isso é preciso “voltar à pedagogia da prevenção”.
Sobre a questão da saúde disse que “é perfeitamente legítimo, se se quer fixar pessoas, tem de se dar condições sanitárias”.

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