O PASSADO E O FUTURO

Neste Portugal que vivemos, que passou de colonizador a colonizado, estamos atualmente a viver um longo período de vacas magras,

que vai muito para além do que os sete anos de vacas gordas. Esta colónia europeia, onde toda a gente mete o nariz, vai de mal a pior, pelo menos para os que por cá estão e que não têm hipótese de partir para um Mundo novo onde cada um tivesse a qualidade de vida em conformidade com a sua produção. Sem querer entrei aqui um pouco na filosofia popular do poeta algarvio António Aleixo.
No meu entender, ainda uma coisa nos vale, temos excesso de mão-de-obra altamente qualificada, que as principais potências europeias nos colonizam, nos recebem, pagando-a a peso de ouro em comparação com o mercado de trabalho caseiro.
Isto está a acontecer porque o governo que acaba de cessar funções, foi demasiadamente arrogante, perante as outras forças políticas colocadas fora da governação. O primeiro-ministro Passos Coelho, apenas se limitava a andar com outro político ao colo, estou a falar de Paulo Portas, uma vez que era a estaca do seu poleiro. Também tinha o condão, e deve ter ainda, de se comportar como um bom mordomo em Bruxelas.
Na sequência das eleições de quatro de outubro o xadrez político pode-se dizer que não mudou, mas complicou-se, o senhor do “irrevogável” cessante já não chega para suportar o almejado poder de Passos Coelho e as outras forças políticas ressabiadas que estão, devido à “rópia” demonstrada por Passos Coelho, não estão na disposição de lhe dar a mão.
Em face do que penso e deixo escrito, o hemiciclo de São Bento dividiu-se: a direita unida para um lado e a esquerda, composta por três “sortes”, para outro. Tendo em conta os anteriores confrontos políticos e uma vez que o próprio António Costa, líder do maior partido opositor, já tinha falado num plano B, embora não tivesse dito qual era, acabamos de verificar que a esquerda unida, no caso de se concretizar, derruba o governo recentemente empossado, na primeira situação, ou em qualquer outra em que haja votos.
Caso isto venha a acontecer, que até é o mais provável, aparecem milhentas vozes que têm apregoado e continuam a apregoar, a quebra da tradição democrática portuguesa. O que é o mesmo que dizer que quem ganhou as eleições deve ter a seu cargo os destinos do país e que a maioria tripartidária tem em duas partes uma índole antieuropeia que não permite uma boa relação com os restantes membros da União Europeia.
Ora, eu aqui tenho que voltar atrás uns vinte anos e recordar como era o comportamento do CDS relativamente à Europa e perguntar ainda, recuando quarenta anos, qual foi a tomada de posição desta força política na aprovação da Constituição.
Refletindo sobre o que acabo de afirmar, não é difícil perceber que a conveniência partidária está acima da doutrina do próprio partido seja ele qual for, muito mais a teoria daqueles que têm de servir de muleta.
No meu ponto de vista, a direita defende a força do capital, enquanto que a esquerda chama a si o dinamismo do trabalho, só que é muito mais fácil para quem atinge o Poder encostar-se ao domínio do dinheiro, uma vez que dá melhor vizinhança no velho continente, onde a desigualdade entre os povos galopa. Por mais que se apregoe em promessas quanto à melhoria das condições de vida, tudo se apaga com as rédeas da governação. Se a minha memória estiver em condições, como penso que está, terei que dizer que este filme passou há muito pouco tempo na Grécia.
Dentro da ideia que tenho e que aqui explanei, fico como todos vós, à espera do que sai de São Bento e o que Belém acabará por nos ditar no caso de tudo voltar à estaca zero, como é previsível.

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