“Nós somos testemunhas de tudo o que Ele fez”

Depois das agruras da paixão e morte de Jesus, os discípulos têm ainda, na manhã de Páscoa, mais uma experiência dolorosa: o sepulcro vazio!

O que teria acontecido ao corpo de Jesus?! Maria Madalena, preocupada, corre para dizer a Pedro: “Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde o puseram” (Jo 20, 2). De facto, a aventura da fé nunca foi fácil. E para estes discípulos foi particularmente difícil. Como poderiam entender tudo o que se estava a passar tão rapidamente? Aquele a quem seguiam desde a Galileia tinha-lhes sido tirado, condenado à morte, crucificado e abandonado por quase todos! E tudo foi tão rápido! Não houvera sequer tempo para despedidas. Enquanto Jesus lhes explicava o que haveria de acontecer, provavelmente andavam distraídos com outras preocupações! Essa foi uma das razões para João dizer: “Ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos” (v. 9).

E a nós, o que nos poderá ajudar a acreditar na ressurreição? É que acreditar na ressurreição de Jesus não é um acto instantâneo e fácil. Não o foi para os discípulos, nem o é para nós. Acreditar na ressurreição de Jesus exige um caminho gradual de aprofundamento das razões da fé cristã e da própria fé pessoal. Exige que sejamos capazes de superar dúvidas e ver para lá do visível. É um caminho progressivo que nos convida a passar primeiro pela cruz, e pela experiência do sepulcro vazio, para intuir, a partir dele, a ressurreição. Mas a ressurreição não é apenas uma intuição. É também uma revelação aos que ‘comeram o beberam com Ele’. E estes acabam por se tornar verdadeiras testemunhas de Cristo Vivo e Ressuscitado. O próprio Pedro, em casa de Cornélio de Cesareia, no discurso que hoje escutámos, diz que eles foram ‘mandatados’ para essa missão.

Hoje também nós somos chamados a ser “testemunhas de tudo o que Jesus fez” (Act 10, 39). Mesmo que não tenhamos ‘comido e bebido com Ele’, podemos ser testemunhas da sua ressurreição. É verdade que, embora a nossa fé não seja irracional, nem uma ilusão vazia, as suas razões ultrapassam a fronteira da razão humana. As provas da fé vão além do olhar de cientistas e investigadores. Mas basta recordar o testemunho não apenas verbal, mas existencial, dos apóstolos e de tantos discípulos ao longo dos séculos, um testemunho vivo, confirmado pela alegria, pelo serviço, pela coragem e até pelo próprio sangue, para reconhecermos Cristo vivo. E o testemunho de tantos que deram e dão a sua vida em favor do Evangelho continua a ser fidedigno e credível porque é o próprio Cristo, vivo e ressuscitado, que se faz presente e continua, neles, a revelar-se e a dar-nos a sua paz.

Senhor Jesus, o teu sepulcro vazio convida-me a olhar mais além. Por isso, não fixo os meus olhos na pedra fria do sepulcro, mas na certeza reconfortante da tua ressurreição gloriosa. Hoje quero cantar alegremente os aleluias pascais, dando graças pelo testemunho de tantos discípulos teus, que ao longo dos séculos continuam a revelar no seu rosto a certeza da tua ressurreição.
Amén.

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