“Hoje inicia-se um ciclo diferente na Quinta do Veledo e estou preparada para começar a receber pessoas e dar a conhecer este espaço que está maravilhoso”

Entrevista: Neuza Maria Pinto Almeida – proprietária do projecto turístico ‘Quinta do Veledo – TerraSense’

Neuza Maria Pinto Almeida é natural de Videmonte. Fez a Telescola em Videmonte e a seguir transitou para a Escola Secundária Afonso de Albuquerque, na Guarda. Tem licenciatura em Economia, na Universidade da Beira Interior, na Covilhã.
Gosta de tudo o que está relacionado com o ar livre e com a natureza.

A GUARDA: Como surgiu a ideia de avançar com este projecto?

Neuza Almeida: Sempre quisemos ter um lugar para receber pessoas. Gosto muito de receber pessoas e a casa dos meus pais já não era, propriamente, o ambiente onde pudéssemos ter os nossos amigos. Havia muitas casinhas à venda na Quinta da Taberna, mas os preços eram exorbitantes. Pediam 30/40 mil euros pelo espacinho de uma casa em que não se aproveitava praticamente nada, pois era necessário deitar tudo abaixo. E era apenas a casa sem mais nada. Entretanto demos conta de que estava esta quinta aqui à venda, que era uma dimensão completamente diferente pois tinha a casa que podíamos recuperar na mesma e tínhamos terreno à volta. Começámos por desenvolver um projecto agrícola, que foi mais fácil de licenciar.
A GUARDA: A decisão foi mesmo comprar a Quinta?
Neuza Almeida: Nós queríamos ter um espaço nosso, onde pudesse receber amigos, sem ser a casa dos meus pais. Nós gostávamos muito desta zona e como a quinta estava à venda decidimos avançar para a compra. Nós fazíamos muitos passeios todo-o-terreno, por estes trilhos que passam por Manteigas, Folgosinho…
Gostávamos muito desta ligação, a esta zona da Serra, porque estamos aqui e, em meia hora estamos na Torre, estamos em Folgosinho…
Comprámos este espaço e a partir daí começámos a tentar explorar.

A GUARDA: Mas o processo não foi fácil?
Neuza Almeida: Já tínhamos a ideia de avançar com este projecto de turismo. Não foi possível executar logo esta ideia por causa das dificuldades da localização. Esta zona tem imensas condicionantes. Tem REN porque passa aqui o ribeiro, tem RAN porque é reserva agrícola, é o ICNF porque estamos em pleno Parque Natural da Serra da Estrela. Tinha uma série de condicionantes.
Fomos avançando com o processo mas posso-lhe dizer que só para obtermos o licenciamento da construção foram seis anos, entre várias entidades a opinar. Eram umas 10 ou 12 entidades a opinar sobre a construção. Foi um processo muito demorado. Entretanto fomos avançando com o projecto agrícola.

A GUARDA: Em que consiste o projecto agrícola?
Neuza Almeida: No projecto agrícola temos mais de um hectare de lavanda. É uma encosta toda florida de roxo que é uma coisa completamente estranha aqui na Serra. Mas até para isso tivemos dificuldades porque queríamos plantar nos lameiros, mas como é zona protegida tivemos de optar pela encosta.
Plantámos castanheiros, mas a realidade dos castanheiros, em Videmonte, já não é a mesma que era há vinte anos atrás. O tempo está muito seco e os castanheiros morrem imenso, têm muitas doenças.
E também temos colmeias. No projecto também colocámos logo 100 colemias de início. Paralelamente, e em termos amadores, temos cabras, burros, galinhas, o porco… Temos os animais da quinta.
Em termos de negócio agrícola a aposta é essencialmente nas lavandas e no mel. Os castanheiros morreram ou ainda não estão a dar rentabilidade.
A par do projecto agrícola fomos andando com os licenciamentos do projecto e, só seis anos depois é que tivemos autorização de construção.

A GUARDA: Como define o projecto de turismo ‘Quinta do Veledo’?

Neuza Almeida: Aqui temos muito de mim. Esta casa foi feita à minha imagem, àquilo que eu gosto, à minha forma de estar, que é trazer um bocadinho da natureza, do que está lá fora cá para dentro. É um espaço familiar. No pequeno-almoço não temos mesas individuais, temos uma mesa ampla, temos uma mesa corrida, para que as pessoas venham e sintam a casa como sendo delas. No espaço comum também queremos que as pessoas se sintam em casa, num ambiente que é chique, muito confortável, com toques diferentes e que, ao mesmo tempo, está completamente integrado na natureza.
O projecto está dividido em duas casas. A casa principal tem seis quartos, todos com casa de banho privativa. Há quartos que têm capacidade para duas pessoas e outros para quatro pessoas. Temos aqui quartos com mezaninos que dão para uma família inteira e ficar com os filhos. Depois temos uma casa secundária que tem dois quartos também, com capacidade para quatro pessoas.

A GUARDA: Para quando a abertura ao público?

Neuza Almeida: Fizemos a inauguração este sábado, 15 de Julho e, a partir do dia um de Agosto, vamos estar abertos ao público e vamos passar a receber pessoas.

A GUARDA: Como é que está a ser feita a divulgação?

Neuza Almeida: Ainda fizemos pouca divulgação. A obra ainda não estava concluída e depois vamos criando expectativa nas pessoas. Temos um site que é o ‘terrasense.pt’, temos ‘instagram’ com algumas das imagens, mas a sessão fotográfica aqui no local, para divulgação ainda não está feita, vai ser agora num dos próximos dias.

A GUARDA: Qual o público-alvo deste projecto turístico?

Neuza Almeida: Quem vem para aqui tem de saber para o que vem e tem de gostar de estar num espaço destes. Estamos a falar de uma classe média alta, pelo menos foi pensado para isso. Inicialmente nem tanto, mas depois foi evoluindo…
O nosso espaço é destinado a alguém que precise de parar, precise de acalmar e que goste de estar num ambiente tranquilo e que valorize isso.

A GUARDA: É um projecto diferenciador?

Neuza Almeida: O meu objectivo com a Quinta é fazer a junção de dois projectos: é o projecto agrícola e as pessoas estrarem completamente à vontade para circular por toda a quinta, completamente à vontade para interagir connosco na horta, na apanha da batata, na apanha da castanha, na cresta do mel. Se for preciso almoçarem ou jantarem connosco, como já aconteceu com grupos que andam por aí, temos um forno que tem uma mesa corrida, e onde isso é possível. É as pessoas sentirem-se em casa e participarem em tudo o que se faz na quinta.
Temos inscrições de pessoas e de grupos da saúde, para o dia de colheita da lavanda. A ideia é proporcionar às pessoas condições para que elas possam aproveitar o ribeiro, para que possam ter uma zona de estar junto a uma cascata, servirmos aqui pequenas refeições às pessoas com tudo o que é daqui; servir pequenos-almoços com os nossos queijos, os nossos enchidos, tudo o que temos aqui.
A GUARDA: Está feliz com a inauguração deste projecto?
Neuza Almeida: Estou feliz. É um misto de sensações: é ver que foi isto que eu idealizei; a sensação de pecar por tardio, porque infelizmente foi muita burocracia e muita dificuldade que só alguém com muita resiliência e que goste disto é que consegue terminar um projecto assim. Mas estou feliz. Penso que é uma nova etapa. Hoje inicia-se um ciclo diferente na ‘Quinta do Veledo’ e estou preparada para começar a receber pessoas e dar a conhecer este espaço que acho que está maravilhoso.

A GUARDA: Fazia falta um espaço assim em Videmonte?

Neuza Almeida: Sim, acho que fazia. Nós temos algumas casas em Videmonte que acho que são fantásticas mas estão integradas na aldeia, num ambiente completamente diferente. Aqui temos toda uma natureza, todo um ar livre em que as pessoas podem usufruir também. E acho que é essa a diferença entre nós e os nossos parceiros de Videmonte.

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